Opinião DN

Intercâmbio Educacional entre Portugal e os EUA continua a crescer

De acordo com a edição de 2018 do Open Doors Report on International Educational Exchange, relatório anual publicado pelo Institute of International Education (IIE) e o Bureau of Educational and Cultural Affairs do Departamento de Estado norte-americano, o número total de estudantes internacionais que frequentaram instituições de ensino superior americanas no ano letivo 2017/2018 cresceu 1,5%, ultrapassando, pelo terceiro ano consecutivo, a barreira de um milhão de estudantes internacionais. Foi atingido o número recorde de 1,094,792 estudantes internacionais nos EUA, um número que coloca uma vez mais os Estados Unidos no primeiro lugar da lista global de países de destino de estudantes internacionais.

Otília Macedo Reis

Centenário da recuperação da independência da Polónia

Mais de mil anos da história do Estado polaco são marcados, em grande parte, pelas relações difíceis com os países vizinhos, resultantes da localização da Polónia na Europa Central. Isso levou às partilhas do nosso país, que duraram 123 anos e que terminaram com o fim da Primeira Guerra Mundial. No dia 11 de novembro, celebrámos o centenário da recuperação da independência da Polónia. A nossa liberdade deve-se, entre outros, a duas personalidades eminentes, cujo desempenho foi determinante para o percurso da história polaca, e em cujas biografias encontramos também um episódio português.

Jacek Junosza Kisielewski

A importância crescente do Enfermeiro de Oncologia nos cuidados da pessoa com cancro

Os sistemas de saúde enfrentam cada vez mais dificuldades, que se traduzem em maiores desafios e exigências, com o envelhecimento da população e com o aumento do diagnóstico de doenças crónicas ou outras condições de vida possivelmente limitantes. A doença oncológica revela-se, atualmente, como uma das prioridades nos programas nacionais de saúde por toda a Europa. Há uma clara necessidade de investimento na prevenção, no diagnóstico e no acompanhamento dos sobreviventes de cancro. Além disso, entramos na era da "medicina personalizada", que traz novos conceitos, novos tratamentos e cada vez mais especificidade e complexidade. Torna-se, por isso, fundamental assegurar cuidados especializados que tragam melhores resultados para as pessoas com doença oncológica.

Sara Torcato Parreira

Os perigosos sonâmbulos do Brexit

Era bom que não nos esquecêssemos que Theresa May, agora a lidar com uma revolta conservadora pelo acordo com Bruxelas, fez campanha pelo Remain, assim como David Cameron, o primeiro-ministro que convocou o referendo sobre a permanência ou saída do Reino Unido da União Europeia. E, no entanto, na noite de 23 de Junho de 2016 saiu vencedor o Brexit. Vencedor por escassa maioria (51,9%), mas vencedor no final de contas e nisso os britânicos, de longa tradição democrática, costumam ser muito certinhos: votou-se (tal como acontecera em 1975, mas em sentido contrário), está votado, não se anda a convocar referendos sucessivos até haver o resultado ótimo como fizeram há uns anos os irlandeses para salvar o Tratado de Lisboa.

Leonídio Paulo Ferreira

Crónica de um adeus anunciado: chanceler Merkel sai de cena

Angela Merkel anuncia o abandono do palco político, mas esclarece que sairá devagar para ninguém se magoar. Primeiro, deixará de ser chefe do partido, a CDU, em dezembro. Mais tarde, em 2021, não se recandidatará a chanceler. É uma saída ponderada, como tudo o que a senhora faz. Uma saída a prestações para evitar a instabilidade do país. Na sua lápide política poder-se-ia martelar na pedra a inscrição: ponderada mas sem alma, deixa milhões de órfãos sem saber o que fazer ao seu voto. A maioria na Alemanha gostava de Merkel, a avaliar pelos resultados em quatro eleições sucessivas e pelo carinho da alcunha invulgar para um líder político: "Mutti", mãezinha. Ninguém imagina alguém chamar à antiga chefe de governo da Índia, Indira Gandhi, ou a Margaret Thatcher "Mama" ou "Mum". A chanceler opta por sair de cena devagar para não desestabilizar o sistema político e o seu país. Mas há uma má notícia para o seu legado: a Alemanha e a União Europeia não podiam estar politicamente mais instáveis. Nunca um chefe de governo na história do pós-guerra pegou numa Alemanha e numa UE tão equilibradas para as entregar, à saída, tão caóticas e imprevisíveis. Quando Merkel subiu ao poder não havia crise na zona euro, crise que a inflexibilidade alemã levou aos extremos que agora vemos na Grécia ou em Itália (onde a chanceler alemã é uma figura odiada), uma em situação de falência iminente numa deriva de esquerda radical, a outra esmagada por dívidas e a cair no neofascismo, ambas antieuropeias até à espinal medula. Em Portugal, apesar de todo o marketing político e do frenético agitar de putativas bandeiras de sucesso, a situação não é muito diferente. Não havia, quando Merkel subiu ao poder, crise de refugiados que, com a inflexibilidade alemã, levou os países da zona central e de leste da União Europeia a dar uma guinada para a extrema-direita e hostilizar a Alemanha e Bruxelas, a capital da UE, cada vez mais sentida como braço executante de Berlim. Economicamente as coisas hoje até correm bem para os alemães, dentro de uma estratégia "a Alemanha acima de todos os outros países da União Europeia e gerida como uma mercearia". Correm bem, se não tivermos em conta as grandes ameaças ao virar da esquina, como as sanções dos EUA, a ameaça de declínio da indústria automóvel, os défices de investimento público em infraestruturas, a crescente desigualdade social ou a dependência das exportações. Facto: Angela Merkel não conseguiu segurar as rédeas da UE e impediu que o presidente francês o fizesse. Facto: Nunca esteve à altura de se tornar a nova líder do chamado "mundo livre", como Obama precipitadamente a aclamou (eventualmente porque esse mundo livre está em retrocesso, se é que alguma vez existiu). A questão agora é: Quem suceder a Merkel como líder da CDU e chanceler (não necessariamente uma só pessoa como nos últimos 13 anos) estará à altura destes desafios, que, sabemo-lo agora, foram todos demasiado grandes para a atual chanceler? Annegret Kramp-Karrenbauer, um nome que derrete na língua de qualquer eleitor ao centro, humanista e tolerante, com as suas políticas sociais e a sua abertura à esquerda, é a sucessora que Merkel desejaria ver no seu lugar. Há indícios, no entanto, que isso não acontecerá. A CDU sabe que tem perdido votos para a AfD, a extrema-direita, à custa dos muitos eleitores que foram abandonando um partido marcado, nas duas últimas décadas, pelo espírito aberto com que Merkel encarou a evolução da sociedade em assuntos como a imigração (wir schaffen das, nós conseguimos), a religião ou os direitos de minorias (por exemplo, o casamento gay). Essa CDU, a tradicional e conservadora, exige uma clara viragem à direita. E o SPD, se ainda não tiver desaparecido até lá, agradece, já que Merkel nunca hesitou em arrancar-lhe as bandeiras políticas da mão, deixando-o como um João Pateta a puxar um cordel vazio, sem porco na ponta. Favorito na corrida à sucessão de Merkel é um candidato que ameaça ser a última série de machadadas no projeto da União Europeia e para a estabilidade geopolítica no continente Europeu: Friedrich Merz. Claro, há mais candidatos, como Jens Spahn, atual ministro da Saúde do governo de Merkel, ou Armin Laschet, presidente de NRW (Renânia do Norte-Vestfália). Mas o primeiro não terá grandes hipóteses: os eleitores da CDU não têm nem uma visão da sociedade tolerante como a de Os Verdes nem são estruturalmente liberais como os do FDP. Dificilmente votarão num político que assumiu a sua homossexualidade e no ano passado casou com o seu companheiro. Mais: Spahn é a favor da adoção de crianças por casais do mesmo sexo. Quanto ao segundo, Laschet, é um conservador à antiga, mas faltam-lhe os apoios de peso que Merz tem (o jornal Bild, com a maior tiragem da Alemanha, ou Wolfgang Schäuble, ainda o peso mais pesado da CDU) e a componente nacionalista para ir ao encontro dos anseios dos eleitores de uma CDU que pretende munir-se contra a deserção de eleitores para a extrema-direita saudosista. Essa faceta nacionalista tem-na obviamente Friedrich Merz. Não por ter sido ele quem no início dos anos Zero lançou no grande palco o debate sobre a deutsche Leitkultur, a "liderança da cultura alemã", em bicos de pés, como farol da civilização ocidental face a outras civilizações que Merz considera aparentemente inferiores - ou até indesejáveis. Independentemente de medidas políticas e legislativas concretas para assegurar o desejável cumprimento dos princípios constitucionais, a escolha de palavras revela o programa de Merz: deutsche Leitkultur é uma expressão a transbordar de arrogância e a evocar memórias de megalomania germânica. Merz trabalha há 16 anos como um lobista da Wall Street, a praça financeira de Nova Iorque, é presidente na Alemanha da maior gestora de fortunas do mundo, a Black Rock, é dirigente de várias associações ligadas ao poder político de Washington, como a Trilateral e a "Ponte Atlântica" com estreitas ligações às estruturas militares dos Estados Unidos. Politicamente a fórmula deverá resumir-se a isto: Annegret Kramp-Karrenbauer posicionará a CDU como partido do centro, deixando pouco espaço ao que resta do SPD e a roubar-lhe eleitores; Friedrich Merz tentará a espargata política de uma CDU ao centro, economicamente liberal, bem demarcada do SPD e de Os Verdes, mas com as fronteiras fluidas à extrema-direita, para recuperar eleitores que desertaram para irem engrossar as fileiras da Alternative für Deutschland (AfD) com os seus cânticos de nostalgia de uma Alemanha grande e mais "pura". No plano internacional, Merz é um candidato que, se tiver sucesso, irá posicionar a Alemanha novamente como sucursal obediente de Washington, enquanto Kramp-Karrenbauer, se ganhar ela a corrida, terá a difícil tarefa de encontrar um papel de relevo para a Alemanha - sem a transformar num satélite de Moscovo.

Miguel Szymanski

E agora, senhora May?

Se a convocação do brexit já havia sido fruto de uma luta interna dentro do partido conservador, a consolidação de um acordo de saída mantém o drama ali centrado. Mais do que um problema de relacionamento presente e futuro com a UE, o que Theresa May na realidade continua a enfrentar é o espectro de uma crise política no governo britânico a qual, em último caso, pode ser constitucional. Não é o facto de se ter forjado uma solução para a fronteira irlandesa, na prática colocando a Irlanda do Norte num regime de exceção dentro do Reino Unido, que o brexit ficou formalmente decidido. Desde logo, porque não há unanimidade no cabinet. E mesmo que os ministros mais céticos saiam hoje de Downing Street com um sorriso nos lábios, tal não passará de um assomo de cinismo que não traz nenhuma coesão a um governo já por si profundamente desgastado.

Bernardo Pires de Lima

Notícias da frente da guerra

Passaram cem anos do fim da Primeira Guerra Mundial. Foi a data do Armistício assinado entre os Aliados e o Império Alemão e do cessar-fogo na Frente Ocidental. As hostilidades continuaram ainda em outras regiões. Duas décadas depois, começava a Segunda Guerra Mundial, "um conflito militar global (...) Marcado por um número significativo de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 e mais de 70 milhões de mortes" (Wikipédia).

Nuno Artur Silva

A atrocidade, o mundo e Portugal

Ainda estamos longe de um pedido de desculpas ao mais alto nível, que um dia acontecerá. Até lá, devemos perceber melhor o tráfico de escravos do Atlântico e como Portugal e os portugueses se envolveram. Um caminho que nos ajudará a melhor perceber o mundo global de hoje e reconhecer o quanto foi feito à custa da repressão dos mais fracos. Um passado que nos põe de sobreaviso sobre a necessidade de se resolverem problemas actuais, à escala global. O mundo pode e deve ser diferente.

Pedro Lains

As vidas atrás dos espelhos

Mais do que qualquer apetite científico ou do que qualquer desejo de mergulho académico, o prazer dos documentários biográficos vai-me servindo sobretudo para aconchegar a curiosidade e a vontade de descobrir novos pormenores sobre os visados, até para poder ligar pontas que, antes dessas abordagens, pareciam soltas e desligadas. No domínio das artes, essas motivações crescem exponencialmente, até por permitirem descobrir, nas vidas, circunstâncias e contextos que ganham reflexo nas obras. Como estas coisas valem mais quando vão aparecendo naturalmente, acontecem-me por revoadas. A presente pôs-me a ver três poderosos documentos sobre gente do cinema, em que nem sempre o "valor facial" retrata o real.

João Gobern

O João. Outra vez, o João Salaviza...

PremiumFoi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.

Rui Pedro Tendinha

A globalização que terminou em barbárie

Era uma vez um mundo onde bancos e empresas cada vez maiores, tirando partido das novas tecnologias e da liberalização das trocas entre países, conduziram as economias nacionais a uma profunda integração global. Este processo trouxe riqueza para alguns e pobreza para outros. Acima de tudo trouxe instabilidade, desigualdades e mudanças sentidas como excessivas por grande parte das pessoas. As populações começaram a questionar os políticos de sempre e a acolher discursos de ruptura. Em vários países começaram a chegar ao poder movimentos e indivíduos autoritários e agressivos. O mundo acabou afundado em guerras, morte e repressão. Isto não é uma previsão - é uma lição da história que nos chama a atenção para os riscos da era em que vivemos.

Ricardo Paes Mamede