Todos podemos ajudar

Em vésperas de Natal, parece que o tempo não chega para coisa nenhuma. Perdidos entre as compras para a ceia e os cozinhados e fritos do dia, ocupados com os presentes que falta comprar e as missões guardadas para a última hora - que demoram uma eternidade a cumprir porque filas de pessoas como nós teimam em deixar tudo para o derradeiro momento possível -, chegamos mesmo a acreditar que toda a gente está tão embrenhada em preparativos natalícios como nós.

Ver onde e como estão hoje as famílias de Pedrógão Grande, de Oliveira do Hospital, de Figueiró dos Vinhos, de Castanheira de Pera, de Vouzela é o murro no estômago que pode fazer-nos mais solidários. Ali, onde apenas algumas casas foram reconstruídas - a maioria, aquelas que ficaram realmente em cinzas ainda não foram levantadas do chão. Ali, onde há quem continue, tantos meses depois, a viver em anexos frios e periclitantes, que antes dos fogos serviam apenas para proteger animais, colheitas ou alfaias agrícolas. Onde outros permanecem em centros de acolhimento. É lá que muitos vão passar o Natal, como têm passado cada um dos dias desde que as chamas lhes levaram tudo. Ali poucos presentes serão trocados, não haverá fartura em cada mesa de família, luzes a piscar na árvore de Natal e conversas a aquecer o serão. Ainda se sente demasiado perto o fogo que matou dezenas de pessoas, milhares de animais e destruiu casas e negócios deixando toda uma população impotente, com a vida meio vazia, interrompida.

É aqui que o Presidente Marcelo vai passar o Natal. Num ato de solidariedade que tanto encontra razão no conforto que sabe que pode dar àqueles que tanto perderam como no facto de assim poder alertar-nos a todos para o que realmente importa: a necessidade de sermos mais atentos aos outros, de não termos memória tão curta que sejamos capazes de esquecer um horror como aquele em apenas meia dúzia de meses. Ajudar está nas mãos de todos nós. E não há por que limitar esse espírito a um par de dias por ano.

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