Plano nacional do bom senso

As infraestruturas de que o país dispõe, desde que fazemos parte do clube europeu, são a face mais visível da profunda transformação que ocorreu em Portugal. Antes de pertencermos à CEE, havia uma autoestrada que não chegava para ligar as duas maiores cidades do continente. As ilhas eram um atraso de vida, os hospitais e as escolas um mau exemplo de vida na Europa. As comunicações eram do Terceiro Mundo, a comunicação social não era verdadeiramente pluralista. O retrato do país que existia nessa altura só pode ser mesmo a preto e branco.

Com a preciosa ajuda dos nossos parceiros europeus, Portugal deu um grande salto no desenvolvimento mas também no preconceito. Hoje desdenhamos da Europa e das regras que voluntariamente assumimos como nossas; maldizemos as infraestruturas que construímos; julgámos ter destruído a agricultura quando a modernizámos. É evidente que nem tudo foi bem feito, mas muito pior seria que nada tivesse sido feito.

Dito isto, depois da experiência que acumulámos já não chega fazer, é preciso planear, é preciso gerar consensos sobre o que ainda nos falta fazer em matéria de infraestruturas. No âmbito dos 153 anos que o DN celebra a 29 de dezembro, organizámos um ciclo de conferências sobre os compromissos de Portugal com a Europa, essa União que nos financia a modernização do país.

Ontem, Alfredo Marvão Ferreira, economista, professor universitário nos Estados Unidos, e Pedro Marques, ministro do Planeamento e das Infraestruturas, abriram e fecharam a conferência do DN, salientando os dois que há uma urgência em Portugal: "É preciso um plano nacional de infraestruturas." Já não há espaço para grandes erros, já não temos tempo para mudar as grandes opções políticas sempre que muda o governo. Ontem era tarde demais, mas também é verdade que mais vale tarde do que nunca e, por isso, faz todo o sentido convocar os partidos com assento parlamentar para um plano nacional do bom senso. Um plano em que o interesse partidário é secundário em relação ao interesse do país.

Exclusivos

Premium

Legionela

Maioria das vítimas quer "alguma justiça" e indemnização do Estado

Cinco anos depois do surto de legionela que matou 12 pessoas e infetou mais de 400, em Vila Franca de Xira, a maioria das vítimas reclama por indemnização. "Queremos que se faça alguma justiça, porque nunca será completa", defende a associação das vítimas, no dia em que começa a fase de instrução do processo, no tribunal de Loures, que contempla apenas 73 casos.