Irmãos

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil tem uma fundação chamada Alexandre de Gusmão. Se o nome não lhe diz nada, noto que é o irmão de Bartolomeu de Gusmão, o jesuíta que no início do século XVIII fez em Lisboa voar a passarola assombrando meia Europa.

Mas Alexandre de Gusmão não deve nada em mérito ao irmão padre mais famoso, pois como assessor pessoal de D. João V coube-lhe ajudar a negociar o Tratado de Madrid, que em 1750 definiu as fronteiras do Brasil português quase como são hoje, com a Amazónia incluída. Ora, Alexandre de Gusmão era português e brasileiro, pois se se formou em Coimbra e serviu a corte lisboeta também é verdade que nasceu em Santos e estudou na Baía antes de vir para a Europa.

O embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima, que preside à fundação, lembrou nesta semana em Lisboa numa conferência no ISCTE-IUL que há muitos valores em comum entre as diplomacias brasileira e portuguesa, até porque ambas têm Alexandre de Gusmão como herói. Há um busto dele nas Necessidades, em Lisboa, outro no original Palácio Itamaraty no Rio de Janeiro.

Assim, quando se fala de potencialidades da lusofonia, só se pode responder que a história ajuda e muito, falta é a vontade política de ir mais além. Os brasileiros, apesar de habitarem um gigante e serem muitos, dizem preferir a diplomacia à força. Ora não foi esse sempre, mesmo quando as naus eram armadas de canhões, o segredo do sucesso da longevidade do império português?

P. S.: A Fundação Alexandre de Gusmão edita regularmente livros sobre história, diplomacia e relações internacionais. Todos estão disponíveis e gratuitos para download. Uma oportunidade para os académicos portugueses, e não só, lerem aquilo que de melhor se produz no Brasil nestas matérias.

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