Obrigado pelo CCB

Gostei sempre do CCB, o Centro Cultural de Belém. Quando foi aberto ao público, em março de 1993, eu já trabalhava no DN, mas algum do meu tempo ainda era passado ali na zona entre Alcântara e Belém, pois estava a acabar o curso no ISCSP, então no Palácio Burnay, na Rua da Junqueira. Foi o segundo contacto em Lisboa (para um jovem oriundo de Setúbal) com o ideal de um Portugal moderno. O primeiro foi a Fundação Gulbenkian, cujo edifício e jardins também desfrutei com alguma frequência, mesmo que estivesse mais à mão dos que tinham escolhido antes a Nova para tirar Comunicação Social.

Mais tarde, a Expo"98 trouxe ainda com mais força a Lisboa essa imagem de um Portugal modernista, e recordo-me de ter falado com gente que pela primeira vez visitava a capital e, graças ao Oceanário, ao Pavilhão de Portugal e ao hoje Altice Arena, se enchia de orgulho no país. Só má-língua diria tratar-se de provincianismo.

Mas voltemos ao CCB, que há três dias celebrou 25 anos. Foi uma obra polémica, mas ainda bem que avançou. Ao contrário do que se temia, não só não descaracterizou Belém como a valorizou. E é tão bonito o contraste (e a combinação) que faz com os Jerónimos. Fez muito bem Aníbal Cavaco Silva, então primeiro-ministro, em não desistir do projeto encomendado aos arquitetos Vittorio Gregotti e Manuel Salgado. Se a abundância de autoestradas é muita vezes vista como o maior legado do cavaquismo, o CCB merece também muito ser tido em conta como a obra marcante de uma década de governação.

Visitas a exposições, concertos, conferências, não me faltam memórias de idas ao CCB. Uma é ainda relativamente recente, do verão passado, quando os 150 anos da abolição da pena de morte em Portugal foram assinalados com uma brilhante palestra da nossa ministra da Justiça, Francisca van Dunen. Estava lá como subdiretor do DN porque em 1867 foi no nosso jornal que Victor Hugo, o genial escritor francês, elogiou a nova lei e afirmou que Portugal dava o exemplo à Europa.

O CCB, em 1992, antes da abertura ao público, acolheu uma cimeira europeia. Aos nossos parceiros mostrávamos orgulhosos como queríamos ser mais do que os descendentes dos navegadores que 500 anos antes partiram à descoberta. Por mim, tenho tanto gosto em mostrar aos meus filhos a Torre de Belém e os Jerónimos como em levá-los ao Museu Berardo no CCB.

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