O que quer e o que pode o PCP

"A forma como se resolve esse impasse tem de ser com mais luta dos trabalhadores." A frase é de João Oliveira, líder parlamentar do PCP, entrevistado hoje no DN por Susete Francisco. E qual é o impasse? As alterações à legislação laboral, exigidas pelo PCP e, no essencial, ignoradas pelo governo PS.

Se há muro que define os limites dos acordos que asseguram a governação é este. A legislação laboral. Foi um dos campos de reforma mais cultivados pela troika e pelo anterior governo. É, de resto, a essas alterações que o PSD vai buscar inspiração para dizer que o crescimento económico de agora se deve às reformas de então. A questão é que, neste caso, não se trata de reverter, apenas, uma decisão do anterior executivo. A Comissão Europeia está bem atenta a esta matéria - não é só de rendimentos que se faz a convergência -, não permitirá retrocessos significativos, e o próprio PS partilha de boa parte das alterações. Aliás, o mundo tal como o conheciam funcionários públicos e trabalhadores privados nos quadros de empresas começou a mudar não com o anterior governo, mas com o executivo de José Sócrates e bem antes da crise de 2008.

Dito isto, a frase de João Oliveira deixa antever tempos interessantes, animados. Quem se queixa há meses da inatividade dos sindicatos? Vamos voltar a ter agitação e protesto nas ruas. Poderá não passar de encenação, mas vai voltar. A menos de cinco meses das eleições autárquicas, estamos a entrar em pleno tempo eleitoral. É o momento para anunciar diferenças e acentuar autonomias estratégicas. Ainda assim, e por muito que o PCP passe o verão em protesto e recheie a Festa do Avante! de discursos inflamados, o mais certo é que cheguemos a essa altura, ao início de setembro, com o Orçamento do Estado tranquilamente negociado e assinado entre todos os parceiros. Por muito que queira fazer parecer que não, também o PCP quer boleia das boas notícias e do bom momento da economia. Pode não conseguir que António Costa ceda uma fatia mais gorda do bolo das reversões, mas o que tem conseguido já lhe serve perfeitamente como argumento para as suas bases. Basta ler outras passagens da entrevista de João Oliveira ao DN para perceber isso mesmo.

Do mesmo autor

Mais em Opinião

Brand Story

Tui

Mais popular

  • no dn.pt
  • Opinião
Pub
Pub