O momento é agora

Têm uma das profissões mais respeitadas, recebem um salário médio (considerando14 meses) que ronda os 3500 euros mensais, usufruem da mais avançada tecnologia quer nos veículos de emergência que operam quer nos fatos e material que têm à disposição. É esta a realidade dos bombeiros americanos, a anos-luz da que representa a vida dos portugueses que escolhem sacrificar-se para salvar vidas.
Os números por cá não são certos - o que desde logo é demonstrativo da falta de rigor, para não dizer prenúncio de alguma falta de interesse sintomática. Mas revelam indiscutivelmente um cada vez maior afastamento de uma carreira que, no mínimo, devia ser considerada nobre. Ainda assim, o facto de haver cada vez menos voluntários a dedicar tempo da sua vida às corporações de bombeiros pode ser visto como uma oportunidade. Um momento-chave para introduzir uma mudança de paradigma capaz de mudar a realidade portuguesa para melhor. Mas isso implica empenho, seriedade e investimento.
Há cada vez menos bombeiros voluntários? Pois esta é a altura ideal para os formar de carreira, para reforçar os números desde as bases, oferecendo-lhes condições profissionais que atraiam os melhores e o reconhecimento de que se trata de uma profissão nobre, que implica grande risco e sacrifício. O que passa também por criar estruturas eficazes e competentes, não apenas ao nível das capacidades humanas, da organização e da liderança eficiente, mas também no que respeita a condições de trabalho que não sejam a atual anedota a que estes profissionais e voluntários estão sujeitos. E que ainda obriga a garantir números de efetivos suficientes para não assistirmos aos episódios demasiado frequentes hoje de bombeiros que trabalham 24 ou mais horas seguidas porque simplesmente não há quem os substitua nas necessidades a que têm de responder. E deixemos de uma vez de cometer a injustiça de dizer que eles apenas são precisos três ou quatro meses por ano. Se os queremos preparados para combater o fogo, eles têm de treinar-se devidamente. Se não queremos que desgraças como aquela a que assistimos agora não se repitam, talvez eles possam dar uma ajuda na criação de condições que o evitem. E se precisamos deles para cumprir outras funções de socorro ao longo do ano, não desprezemos esse trabalho como algo menor.
É um facto que hoje temos um problema. Há poucos bombeiros e a maioria dos que resistem está mal preparada para os desafios e riscos a que a carreira obriga. Façamos por não estarmos a ter as mesmas discussões daqui a meia dúzia de anos. Empenhemo-nos de uma vez por todas na criação de condições dignas e justas para criar uma força de socorros competente e profissional que dê aos bombeiros o estatuto que sempre deviam ter tido. A oportunidade não podia ser melhor.

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