E o SIRESP voltou a falhar

Um mês depois de o país ter parado em espanto e indignação com as 64 mortes em Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, num incêndio no concelho de Alijó - um fogo violento mas com características completamente diferentes - o sistema de comunicações de emergência voltou a ter momentos de pausa, tempos em que não funcionou.

Um mês depois de termos assistido a uma romaria de responsáveis políticos até aos centros de comando, de termos ouvido que nada daquilo voltaria a acontecer, as falhas do SIRESP regressaram, e não sabemos ao certo mas talvez tenham atrapalhado o trabalho dos bombeiros. É mesmo o mais certo, de resto, visto que este é um sistema de comunicação para ser utilizado por... bombeiros e forças de segurança em situações de emergência. À hora a que escrevo, as chamas ainda não estão controladas e é impossível saber como vão evoluir durante a noite. O incêndio em Alijó não fez vítimas, mas chegou a obrigar à retirada de crianças e idosos de Vila Chã. Não fez vítimas, mas há imagens diversas de casas, carros e alfaias agrícolas destruídos pelas chamas. Há estragos, portanto. Prejuízos.

Não sou especialista em combate a incêndios florestais ou comunicações de emergência. Não sei se seria possível evitar que, passado um mês, o SIRESP voltasse a falhar em situação de manifesta necessidade. O que sei é que gostaria de ter ouvido, da boca do primeiro-ministro ou da ministra da Administração Interna, um maior sentido de urgência sobre a necessidade de resolver este problema. Porque é isso mesmo que o SIRESP é neste momento. Um problema e dos sérios. Pouco me interessa a discussão política que se seguiu a Pedrógão, sobre quem tinha cortado quanto e onde. O que verdadeiramente interessa, agora que o sistema voltou a falhar durante o combate a um incêndio que ameaçava pessoas e bens, é saber o que foi feito durante as últimas semanas. O governo fez alguma coisa ou só aconteceu o que nos foi dado ver - de inconsequente e vazio - no palco político? Parece-me relativamente óbvio que poderiam ter gasto o tempo de forma mais útil.

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