Fez-se a lista. E agora?

Sempre que saem rankings, sejam eles quais forem, ouve-se o coro de velhas do costume reclamar que aquilo de nada serve. E sou obrigada a dar-lhes razão. Não serve. Não serve, como deveria, para se fazer o diagnóstico do que está errado na nossa educação e tentar melhorar - se as médias nacionais são repetida e vergonhosamente baixas, de tal maneira que serem positivas é motivo de contentamento, é porque não estamos a aprender nada. Se sabemos que o contexto em que estão inseridos os miúdos é determinante, na esmagadora maioria dos casos, para o seu sucesso escolar, mas o insucesso das crianças que vêm de meios mais pobres, mais carentes, mais complicados se repete todos os anos, é porque pouco ou nada se fez por eles.

Os exames, as notas, os rankings, a avaliação, no fundo, é essencial para aferir o mérito e recompensar justamente aqueles que mais longe conseguem chegar - na escola como por toda a vida profissional. Mas é igualmente uma excelente forma de identificar aquilo que está a correr mal, de diagnosticar problemas e começar a emendar erros, para que os ciclos de insucesso não se perpetuem ou mesmo agravem numa espiral que só pode terminar da pior maneira possível: a nivelar por baixo.

Se uma turma inteira tem negativa na sua língua-mãe, talvez os métodos de ensino do professor tenham de mudar. Se há escolas com dificuldades que conseguem levar os seus alunos a resultados extraordinários, ponha-se os olhos nelas e aprenda-se. Se sabemos que os miúdos inseridos em meios familiares complexos têm enormes dificuldades em chegar ao ensino superior, não podemos simplesmente lamentar; há que trazer para o dia-a-dia instrumentos que permitam voltar a ligá-los à aprendizagem.

Os resultados das avaliações não podem limitar-se a engordar dossiês de listas fechadas em arquivos. Devem servir de ponto de partida para mudarmos para melhor. Não é possível fazer tudo de uma vez, mas só começando a dar pequenos passos conseguiremos enfim interromper o ciclo do insucesso.

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