China, Japão e Índia de olhos em Portugal

Ouvi na sexta-feira, na celebração do 69.º Dia da República da Índia, a embaixadora Nandini Singla referir 2017 como tendo sido um grande ano para as relações bilaterais, com visitas de António Costa à Índia e do primeiro-ministro Narendra Modi a Portugal. Mas que mais está ainda para vir, sobretudo na cooperação económica.

Ora, é interessante que nos últimos anos não só a Índia como a China e o Japão estejam claramente a procurar desenvolver a relação com Portugal. Os chineses têm dado mais nas vistas, até por causa da entrada de capitais em empresas nacionais, mas o Japão desde há muito que investe e vende por cá e a Índia também não é uma desconhecida do ponto de vista comercial. Contudo, percebe-se pelo discurso dos diplomatas, seja em público seja nos encontros setoriais que vão fazendo pelo país, que existe vontade de conseguir mais. Ainda há dias, o embaixador japonês Jun Niimi o afirmou em entrevista ao DN.

Para Portugal, este interesse das três grandes potências asiáticas (todas no G20 e aliás segunda, terceira e sétima maiores economias mundiais) é uma benesse. Joga a nosso favor a velhíssima relação histórica com os três, já que foram os portugueses os primeiros europeus a chegar por mar a qualquer um deles (no caso do Japão, os primeiros europeus em absoluto), mas sobretudo a imagem atual de Portugal como país moderno, aberto ao mundo e com uma mão-de-obra qualificada e com facilidade na aprendizagem de línguas.

O estarmos na União Europeia e o sermos também ponte para o mundo lusófono são outros atrativos que a China, o Japão e a Índia veem em nós, eles que têm agora em comum líderes assertivos como Xi Jinping, Shinzo Abe e Narendra Modi.

Dentro de dias começarão as celebrações do Ano Novo Chinês, que em Portugal vão mexer com muita gente sob impulso da equipa do embaixador Cai Run; em abril, vai haver um Festival da Índia por cá; em junho, como noutros anos, Lisboa receberá a Festa do Japão. São tudo sinais de pujança desses países, e do seu soft power, mas também um desafio à imaginação dos empresários portugueses para serem capazes de ir mais além.

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