Atos e consequências

Com o primeiro período encerrado, as livrarias e papelarias ainda estão à espera de receber do Ministério da Educação o pagamento dos manuais escolares que Tiago Brandão Rodrigues decidiu distribuir gratuitamente a todos os alunos do primeiro ciclo. São perto de três milhões de euros (uma percentagem de até 20% do preço de capa, num total de 14 milhões que o governo irá gastar na compra) que já deviam ter saído dos cofres da tutela e chegado às lojas. Porque esse acerto de contas continua a tardar, os problemas que os pequenos livreiros enfrentam estão a tornar-se cada vez mais sérios.

Num país em que se publica cada vez mais mas onde os hábitos de leitura são dos mais baixos da União Europeia - apenas 32% da população costuma ler, contra os três quartos registados na Suécia, por exemplo - e as compras de livros não técnicos estão ao nível de há uma década, os manuais ainda eram uma tábua de salvação para algumas livrarias. Há quem diga que eram as vendas dos meses antes de arrancarem as aulas que permitiam ter a porta aberta no resto do ano. Agora, porém, com a oferta de livros escolares - que se alarga ao 7.º ano já no próximo ano letivo - comprados em bloco e sem o cuidado de assegurar que as receitas chegam também aos pequenos comerciantes, muitos não estão a conseguir resistir.

Em causa estão 1200 pequenos livreiros que o Ministério da Educação tinha assegurado que ficariam protegidos. Mas até agora a intenção não passou à prática - segundo os livreiros, aliás, só agora, ao fim de mais de um ano de tentativas de contactar o ministro, foi marcada uma data para serem recebidos e ouvidos. Sem promessas de que seja para mudar alguma coisa, mesmo porque não será Tiago Brandão Rodrigues a sentar-se do outro lado da mesa mas alguém do gabinete da secretária de Estado adjunta e da Educação.

São verdadeiras as razões que o ministro invoca - as escolas têm autonomia na escolha -, mas é a ele que cabe criar métodos para atenuar os efeitos dramáticos de uma medida que ele próprio tomou.

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