Até quando vamos arriscar?

Um imigrante proibido de entrar no espaço Schengen ganhou o visto de que precisava para poder voltar a circular pela Europa. Foi-lhe dado pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, apesar da interdição - prevista para ilegais expulsos ou condenados por crimes graves. É o caso mais grave de que há até agora conhecimento, mas tendo em conta os resultados de uma auditoria em que numa única direção regional foram apanhados dois mil casos de vistos atribuídos irregularmente, pode ser apenas a ponta do icebergue. Nada que, aparentemente, preocupe o novo diretor do SEF, que mandou arquivar a investigação apesar dos fortes indícios de quebras de segurança, com funcionários identificados por suspeitas de corrupção - incluindo vistos passados sem provas de entrada legal no país - e sanções propostas.

O caso é grave e devia trazer verdadeira preocupação, em vez de ser tratado com indiferença e desleixo. Mesmo porque as implicações de uma descoberta destas não são apenas internas. Ao garantir um visto português, todos os que entraram ilegalmente passam a poder circular livremente no espaço europeu, multiplicando o risco para todos os países, nomeadamente aqueles que têm sido atingidos por ataques no último par de anos. Não sabemos se estes imigrantes ilegais são perigosos, é verdade, mas estavam impedidos de entrar pelas regras que partilhamos com os restantes países da Comunidade Europeia. Ao permitir-lhes a entrada, estamos a quebrar essas regras, mas também a confiança recíproca que os países membros se merecem. E depois, claro, há as consequências internas, sobretudo numa altura em que o mundo inteiro começa a conhecer-nos e a visitar-nos.

Portugal subiu recentemente ao top 3 dos países mais seguros do mundo, mas isso durará pouco se continuarmos a permitir que situações deste tipo aconteçam sem qualquer controlo e que, uma vez descobertas, passem impunes. Estamos a andar sobre uma camada de gelo fino. E a qualquer momento arriscamo-nos a um banho gelado.

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