O século da multipolaridade - mudança em organizações internacionais

Tomando como critério o PIB global, 14 das principais economias do mundo em 2050 serão países emergentes: 1ª China; 2ª Índia; 3ª EUA; 4ª Indonésia; 5ª Brasil; 6ª Rússia; 7ª México; 8ª Japão; 9ª Alemanha; 10ª Reino Unido; 11ª Turquia; 12ª França; 13ª Arábia Saudita; 14ª Nigéria; 15ª Egito; 16ª Paquistão; 17ª Irão; 18ª Coreia do Sul; 19ª Filipinas; 20ª Vietname.

Ao contrário do que sucedia até há algumas décadas, em que o mundo era dominado pelas potências ocidentais, com uma matriz comum civilizacional judaico-greco-romano-cristã, etnicamente caucasianas, assentes no individualismo liberal, com sociedades democráticas, respeito pelos direitos do homem e economias capitalistas, estas novas potências emergentes são muito divergentes entre si - cultural e etnicamente, com diferentes religiões, e com variados regimes políticos, uns democráticos outros autoritários. O único elemento de convergência parece verificar-se no plano económico; com a implosão do regime soviético e o falhanço económico do marxismo-leninismo, mesmo as "democracias populares" operam cada vez mais como economias de mercado.

Por outro lado, as projeções demográficas das Nações Unidas mostram a Índia a firmar-se como país mais populoso do mundo e o significativo aumento da população da África Subsariana, com especial destaque para a Nigéria.

São estes 20 países - e os blocos económicos regionais a que pertencem, em especial a UE mas também a NAFTA, o Mercosul, a CEDEAO, a ASEAN - que vão determinar a evolução da ordem económica e internacional neste século. Ao contrário do que tantos escrevem, ao século americano não vai suceder o século chinês. Este será o século da multipolaridade. A afirmação da China como grande potência económica ansiosa por projetar o seu poder e obter reconhecimento internacional, será seguida pela afirmação da Índia, do Brasil, do México, da Indonésia, da Turquia, da Nigéria e de outros países.

Da cada vez maior relevância destas potências emergentes na economia, no comércio externo e no investimento mundial decorre a necessidade de rever muitos dos acordos em que está baseada a ordem internacional criada a meio do século passado.

As organizações económicas internacionais precisam de ser reformuladas para acomodar a relevância destas novas potências emergentes. A resistência a essa reformulação risca levar à fragmentação das organizações atuais e à criação de novas organizações internacionais económicas e financeiras. No que tange aos bancos multilaterais, isso já começou a suceder com a criação do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) e do Banco dos BRICS (NBD). Essa reformulação deve estender-se à generalidade das organizações internacionais multilaterais, onde é necessário que os direitos de participação e de votação acompanhem esta nova realidade internacional. Começando pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas onde não existe qualquer membro permanente de África ou da América Latina. E a Índia também tem que ser membro permanente. Fazer reformas nestas organizações internacionais multilaterais é sempre difícil. Mas o exemplo da OMC mostra que é possível. O que não faz sentido é tentar ignorar que o mundo mudou e vai continuar a tornar-se mais diverso e multipolar.


Consultor financeiro e business developer
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