O princípio do fim de Rio

Passam hoje exatamente três anos sobre as eleições europeias. Uma vitória sólida do PS, o início de um ciclo de derrotas pesadas do PSD em eleições nacionais, que culminou na recente maioria absoluta. António Costa arriscou o sufrágio das suas políticas governativas, colocando dois dos seus ministros a encabeçar a lista. Rio insistiu em Paulo Rangel e a campanha acompanhou o estilo do próprio, negativa e distante das pessoas. No fim, o PSD acabou por ser penalizado pelos próprios erros, saindo com uma pesada derrota que viria a ter repercussões nos ciclos eleitorais seguintes.

O partido está em crise profunda. Rio não conseguiu reganhar o centro devido ao erro grave e histórico do acordo com o Chega nos Açores e, em simultâneo, foi perdendo a direita liberal para um novo partido que assumiu, de forma desabrida, a missão de agregar os yuppies do sonho passista.

O PS consolidou-se como preferência do eleitorado moderado, recuperou força à esquerda devido aos erros incompreensíveis dos partidos mais à esquerda. Em sentido contrário, o PSD está em agonia, com uma campanha interna prestes a terminar, sem chama ou ideias refundadoras para o país ou o partido. Com a ausência de debates em televisão, a presença do partido nos grandes meios de comunicação limita-se ao comentário político "independente" de algumas das suas figuras históricas.

Com as lideranças da Iniciativa Liberal e do Chega no Parlamento ainda a beneficiarem do efeito novidade, e o CDS a tentar renascer das cinzas buscando o eleitorado conservador, o PSD vê cada vez mais estreitado o seu espaço político. Fazer oposição a uma maioria absoluta sólida e bem suportada pelos portugueses é difícil; fazê-lo sem assento no Parlamento será tarefa quase impossível para o novo líder do PSD. Mais ainda para um delfim do passismo e da austeridade que afastou irremediavelmente o PSD de uma franja importantíssima do seu eleitorado.

Contudo, a travessia do deserto pode aproveitar a quem saiba ter paciência e sagacidade na função.

Os próximos anos, que se esperavam de recuperação económica depois da crise sanitária, podem vir afinal a revelar-se muito mais difíceis, por efeito da guerra. Mesmo o excelente começo da legislatura em termos económicos (um primeiro trimestre do ano impressionante e um bom início de segundo trimestre) pode afinal tornar-se espinhoso. As dificuldades resultantes do aumento generalizado de preços, a dívida pública ainda muito elevada devido à crise covid e a margem limitada de atuação da política monetária nesta crise inflacionista tornam tudo mais incerto.

No Parlamento Europeu, já conseguimos que a prioridade dos socialistas se tornasse prioridade para a grande maioria dos partidos políticos europeus: lutamos neste momento por um ambicioso programa europeu de recuperação económica e social.

Mas vimos bem as reticências que a família política do PSD colocou na negociação destas novas respostas europeias. Onde se situará o novo PSD a partir de agora? Estará do lado do europeísmo e resposta aos desafios estruturais ou escolherá insistir no caminho ultrapassado do passismo? Social-democrata, conservador ou liberal? Será o PSD daqui a uma década ainda o maior partido da oposição?

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