O dia D na São Caetano à Lapa

Amanhã, sábado, será um dia importante para os "laranjinhas". Mas será um dia ainda mais importante para o país. Tudo o que de bom ou mau se passa nos partidos reflete-se no país. É o que acontecerá amanhã, quando os militantes do PSD escolherem entre a atual liderança de Rui Rio ou o desafio de Paulo Rangel.

O futuro do vencedor estará, inevitavelmente, ligado ao resultado que sair das eleições legislativas de 30 de janeiro.

Sendo difícil a repetição da fórmula da gerigonça, é previsível que o PSD tenha no futuro uma palavra a dizer na geometria política que resulte das próximas eleições.

Assim, de acordo com o resultado eleitoral, um deles pode vir a desempenhar funções diferenciadas. Desde logo, em exercício teórico, as de primeiro-ministro. As eleições são uma caixinha de surpresas. Que o digam Fernando Medina ou Carlos Moedas que, recentemente, foram protagonistas dessa realidade.

Se se sentar em São Bento, o vencedor das diretas de amanhã encontrará um conjunto de dores de cabeça, capazes de tirar o sono a qualquer político.

Uma economia frágil, um SNS a pedir uma reorganização profunda, uma justiça morosa e encravada, empresas descapitalizadas, uma elevada carga fiscal a necessitar de ser mexida. Matéria para as tão badaladas reformas estruturais que o PS congelou, certamente por pressão da agenda política dos seus compagnons de route, o BE e o PCP.

É um facto que em 2022, ganhe o PS ou o PSD, o país vai ter de mudar de rumo e começar a fazer o que precisa de ser feito. E essa mudança requer a presença em palco de atores socialistas e sociais-democratas. Seja com uma presença no governo seja em apoios parlamentares, PS e PSD serão indispensáveis, independentemente da formatação que sair das eleições.

Paulo Rangel poderá ser mais exigente e acutilante, com uma rigorosa agenda no combate à corrupção, um espírito mais europeísta, convicto na baixa de impostos, procurando incentivar a mobilidade social. Ainda que não o assuma por agora, Paulo Rangel terá de encontrar um modelo de entendimento ou colaboração com os socialistas.

Rui Rio, que assume esse entendimento, fará pressão para a reforma do sistema eleitoral, da segurança social, dos impostos, da administração pública.

E esse entendimento é um instrumento vital para assegurar o percurso de modernização do país.

Um virar de página pós-gerigonça.

Claro que Paulo Rangel ou Rui Rio, um deles, poderá vir a ser futuro líder do maior partido da oposição se o PS vencer as eleições com maioria absoluta. Mas até nestas funções as diretas de amanhã são decisivas. O país precisa de uma oposição ativa, acutilante, criativa, que apresente propostas alternativas e enriqueça o diálogo político. Não se trata de "gritaria", mas uma oposição forte que estimule o país, clarifique o sistema, dignifique a democracia. E convenhamos que isso não tem acontecido!

Num dia D decisivo no futuro do PSD, esse futuro vai pois projetar-se nas soluções que, lá mais para a frente, venham a ser desenhadas no panorama político português. É pesada a responsabilidade dos militantes sociais-democratas, mas a democracia tem, frequentemente, os seus dias D. E ainda bem que assim é!

Jornalista

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