Morreu A Rainha

Nunca, em toda a minha vida, vi um consenso como este sobre uma mesma pessoa. De todos os continentes, de todas as culturas e de todas as gerações, a opinião é só uma: a rainha Isabel do Reino Unido foi uma referência da estabilidade, dos valores e da tradição, que todos apreciaram durante a sua vida e de que todos temem não haver quem a substitua.

Num tempo em que está na moda ser contra todos estes valores, não se ouviu uma voz a dizer que ela representou a caducidade da sociedade, o retrógrado do pensamento ou a morte do desenvolvimento.

Todos foram coincidentes em que ela representou exemplarmente a continuidade de um país e a evolução de uma sociedade, que mudou absolutamente durante os seus setenta anos de reinado, e foi uma razão do sucesso do seu reino.

Esteve sempre presente no Mundo e foi sempre parte das suas decisões.
Respeitada por todos os que eram responsáveis pelos destinos dos países e organizações mundiais, que a admiravam, não pelos seus conhecimentos técnicos sobre as matérias, mas pelo senso com que manifestava as suas opiniões.

Passou por revoluções sociais, por guerras, por políticos revolucionários, condecorou os Beatles, atletas e autores e quis sempre acompanhar o desenvolvimento sem nunca deixar os seus valores.

Mostrou ao mundo que esses valores são sempre presentes e que serão sempre eles a base de um desenvolvimento que se quer sustentado.
Não se deixou levar pelos ventos de cada momento e, sem nunca abdicar das suas convicções, conviveu com as mais díspares teorias do desenvolvimento.

Não se deixou abater pelas causas fraturantes que mobilizam os mais revolucionários de cada época, com a consciência de que os verdadeiros valores são sempre a única garantia de sobrevivência.

Nunca defendeu o aborto, a eutanásia nem a teoria de género.
Não promoveu o "me too" nem a liberalização das drogas.

E, ainda assim, o Mundo está-lhe reconhecido.

Agradece-lhe ter sido a âncora que o suportou para viver tudo aquilo, sem nunca se afastar dos valores que o governam.

E foram todos, os revolucionários e os tradicionalistas, que lhe agradeceram a sua vida e a sua dedicação ao servir este nosso Mundo. Agora partiu e deixou-nos mais pobres, mas com a consciência de que podemos enfrentar a vida com a certeza de que só o que tem valor vale a pena e de que mesmo aqueles que mais querem combater esses valores se reveem em quem os defende e pratica.

Já o tínhamos visto nos Papas da Igreja que, defendendo tudo aquilo que é contrário às teorias mais revolucionárias do desenvolvimento, são sempre figuras de referência e respeitadas por todas as pessoas nos quatro cantos do Mundo.

Vemo-lo ainda nas figuras dos santos que no serviço aos outros defendem esses mesmos valores que o Mundo chama seus, como foi Madre Teresa de Calcutá.

E, ainda assim, continua a haver neste nosso Mundo e neste nosso tempo quem acredite que encontrou novos valores em que o respeito, a natureza e a vida não têm lugar.


bruno.bobone.dn@gmail.com

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