Leiria: muito mais do que desenvolvimento económico

Nas últimas décadas, Leiria construiu uma reputação sólida na área económica, posicionando-se no lote dos concelhos de maior dinamismo a nível nacional. A diversificação do seu tecido empresarial, a aposta em setores de forte vocação tecnológica, na internacionalização e na inovação sustentam os bons indicadores que colocam este território entre os que apresentam a mais baixa taxa de desemprego.

Esta notoriedade, justamente atribuída, não reflete, nos dias que correm, aquilo que é verdadeiramente Leiria, que, nos últimos anos, se posicionou também como uma marca emergente em diversas outras áreas, como a oferta cultural, a excelência de infraestruturas nas áreas da saúde, desporto, educação, entre outras, de que resulta a oferta de um nível de qualidade de vida ímpar à população. Por detrás destas conquistas está uma estratégia de correta aplicação dos fundos públicos, ancorada em políticas que pretendem projetar esta capital de distrito como uma referência a nível nacional e também internacional no segmento das cidades de média dimensão.

Temos atuado em várias frentes, sempre centrados na premissa do desenvolvimento sustentado e da qualidade de vida, com o objetivo de construir um território com forte capacidade de atração de investimento e de talento. O investimento que efetuámos recentemente no Castelo de Leiria, que se assume agora como uma forte âncora de atração turística local, a vitória na candidatura de Leiria a Cidade Europeia do Desporto em 2022, a candidatura a Capital Europeia da Cultura em 2027, a construção do Leiria Innovation Hub no topo norte do Estádio Municipal para atração de empresas de base tecnológica, a construção de uma nova zona industrial no norte do concelho ou a criação de um parque tecnológico para o tratamento dos efluentes do setor agroindustrial são alguns dos projetos em que o município está profundamente emprenhado e que vão ser decisivos para o nosso futuro.

Precisamos, contudo, de desbloquear alguns constrangimentos que enfrentamos para superar algumas dores de crescimento, como os custos energéticos, alguma falta de mão-de-obra especializada. Necessitamos de desenvolver estratégias para podermos competir com os mercados mais evoluídos, nomeadamente no campo tecnológico.

A solução terá de passar pela transformação do politécnico em universidade, o que é, aliás, um imperativo numa região cujo crescimento económico exige uma aposta à altura nas instituições que prestam serviços em áreas essenciais como a saúde ou a educação, apenas para referir alguns. Igualmente decisivos para o nosso futuro serão a passagem por Leiria da ferrovia de alta velocidade e a abertura da Base Aérea de Monte Real à aviação civil. Não é possível continuar a adiar este investimento sob pena de ser travado e comprometido o potencial de crescimento de uma região com uma fortíssima margem de progressão económica e social. Temos, nesta região, empresas de matriz tecnológica, património classificado pela UNESCO com grande capacidade de atração, uma costa ímpar, castelos e monumentos únicos, ou o Santuário de Fátima que atrai de peregrinos de todo o mundo.

A abertura do aeroporto será fundamental para elevar o nível competitivo da região centro, potenciar a vocação exportadora das nossas empresas, reforçar a ligação à nossa diáspora, fomentar a internacionalização do nosso ensino superior e capitalizar para a região a apetência turística do destino Portugal. Apenas necessitamos de algum investimento público que nos ajude a potenciar e a concretizar todo o nosso potencial de crescimento económico desta região, que se poderá tornar decisivo para o equilíbrio das contas nacionais.

Presidente da Câmara Municipal de Leiria

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