Fogo posto

Há muitos anos, que os comandos dos bombeiros garantem que mais de 90% dos incêndios têm origem humana. Isto significa que ano após ano, o fogo posto e a negligência queima a floresta, destrói bens, mata pessoas.

Todos sabemos, que é no verão que mais se excitam os incendiários, sempre muito bem tratados pela lei e pela justiça, (são presos de manhã, soltos à tarde e voltam a por fogo à noite).

O que não sabemos ao certo é o que motiva mais os pirómanos, se é apenas a demência e a paranóia, ou se em muitos casos por detrás desta ação criminosa, também se escondem outros interesses.

Entretanto, isto somado ao minifúndio, à renovação dos prados para a pastorícia, à falta de prevenção e limpeza, à dificuldade de acesso dos bombeiros em terreno montanhoso, já arderam mais de 100 mil hectares de mata e floresta.

A severidade deste verão, muitos dias de calor intenso consecutivo durante vários períodos em julho e agosto, por si só não justificam tantos incêndios.

É irrefutável, que tem havido falta de investimento na prevenção e combate aos fogos florestais e que substancial parte dos fundos estruturais que nos últimos anos têm vindo da Comissão Europeia, são devolvidos a Bruxelas e não são utilizadas pelo estado português.

Isto é o resultado das orientações políticas erradas, isto é, em derradeira e última análise o efeito desastroso das atuais e recessivas políticas de austeridade.

O combate eficaz aos incêndios, faz-se sobretudo, na prevenção, com maior investimento público em meios e recursos humanos, com o envolvimento dos produtores florestais, associações de compartes de baldios, com os bombeiros, com os municípios, com legislação adequada a este tipo de crimes e com os tribunais a julgar e a punir em conformidade estes atentados terroristas à natureza, à economia do país, ao meio ambiente e às pessoas e bens.

Incendiar a floresta é o mais hediondo dos crimes. É pois incompreensível que os criminosos sejam tratados com a brandura tradicional dos nossos costumes e isto tem a ver como a visão centralista e urbana de quem faz e de quem aplica a lei, tem a ver com a distância inadmissível e cada vez maior, entre o campo e a cidade.

Termino com uma palavra de solidariedade para com as famílias dos soldados da paz, que neste verão continuaram a dar a vida para salvar vidas.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG