Hidrólise Alcalina ou Aquamação

Com o funeral do líder religioso anglicano e grande lutador antirracista sul-africano Desmond Tutu chega ao grande público um novo termo em inglês "aquamation" que significa consumir pela água, tal como a cremação é consumação pelo fogo.

Como vocábulo em português surge aquamação ou, em alternativa, a designação do processo técnico de decomposição do cadáver a hidrólise alcalina.

Esta técnica, ainda não regulada em Portugal, é uma forma muito ecológica e natural, de tratamento de cadáveres humanos e animais. Permite grandes poupanças de energia e emite menos gases de efeito de estufa.

Na aquamação o cadáver é colocado num cilindro metálico contendo água e hidróxido de potássio e aquecido durante algum tempo a altas temperaturas. Todos os tecidos são dissolvidos e no final temos uma solução aquosa e os ossos finos e porosos que podem depois ser triturados e entregues à família como nas cremações. A água pode servir para regra de espaços verdes.

Este novo método funerário, pelas vantagens para o meio ambiente, está a ser utilizado em muitos países dos Estados Unidos ao México, da África do Sul à Holanda.

Ele é também usado para a eliminação das carcaças de animais quer em matadouros quer noutras situações com grandes vantagens quer para o ambiente quer para a saúde pública. Eventuais bactérias patogénicas e vírus não são lançados à terra onde sobrevivem mas destruídos completamente.

Como sempre Portugal não se encontra na linha da frente na adoção das técnicas mais avançadas, ecológicas e humanas. As elites governantes preferem sempre ficar na cauda do pelotão, um lugar muito desconfortável para a maioria da população mas mais fácil de administrar.

Acresce que a empresa dominante no setor funerário em Portugal a Servilusa é uma filial da Mémora, uma empresa de raiz espanhola mas cujo capital se encontra nas mãos de um fundo de pensões canadiano. Nestas circunstâncias a rentabilidade do investimento é mais importante que a inovação ou a preservação ambiental em Portugal.

Em plena campanha eleitoral não conheço nenhuma proposta dos dois partidos ecologistas, o PAN e o PEV - Partido Ecologista Os Verdes (integrante da coligação CDU), sobre este tema. Aposto que daqui a duas décadas, esta técnica, será introduzida em Portugal como grande novidade.

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