Gandhi e os princípios hoje

A grandeza de um mestre não é só por causa dos seus ensinamentos, mas sim também devido aos seus discípulos e seguidores. O mestre ou um grande inspirador para as grandes figuras da humanidade como Nelson Mandela, Martin Luther King, Desmond Tutu de muitos outros foi Mohandas Karamchand Gandhi (2 de outubro de 1869, Porbandar, Índia - 30 de janeiro de 1948, Nova Deli, Índia) que é mais conhecido por Mahatma Gandhi. O título de Mahatma foi-lhe concedido por outro grande humanista e universalista e primeiro prémio Nobel da Literatura fora da Europa, Rabindranath Tagore, em 1913.

Nasceu numa família aristocrata e teve uma oportunidade que era muito rara para os indianos naquela época de ir estudar Direito no University College e em Londres teve a oportunidade de estudar os livros sagrados das várias religiões e também manteve amigos das diversas culturas e teve uma leitura profunda das obras de Sócrates, Tolstoy, Ruskin e Thoreau que cultivaram no Mohandas um enorme respeito pela diferença, pela diversidade e pelo pluralismo. Sempre se considerava um cidadão do mundo e destacava no vasudhaiv kutumbkam, conceito de que o mundo todo é uma família, que também se nota nas ideias do padre António Vieira que era "Para nascer, pouca terra, para morrer, toda a terra. " Os dias de Gandhi sempre começavam com os cânticos das várias religiões e sempre cultivava o diálogo inter-religioso.

Mohanda Karamchand Gandhi torna-se um defensor dos Direitos Humanos e da igualdade na África de Sul, onde começou o protesto contra o apartheid, um regime de segregação racial. Em 1915 volta para Índia a convite dos líderes indianos que estavam a lutar pela independência da Índia contra o Império Britânico e começou a lutar pelos direitos dos agricultores usando os meios de não-violência, não-cooperação e algumas vezes abdicar de comer e beber contra as injustiças e, pouco a pouco, tornou-se o líder principal na luta pela Independência da Índia. Um advogado formado na Inglaterra começa a viver uma vida muito simples e começa a praticar o que pregava.

Em 1918 durante a Gripe Espanhola, Gandhi e a sua esposa Kasturba Gandhi abriram o Sabarmati Ashrama para os doentes e serviram-lhes a comida vegetariana para que o sistema imunitário fortalecesse e as pessoas recuperassem o mais cedo possível, curiosamente nenhum deles apanhou a Gripe Espanhola, porque seguiam rigorosamente disciplina e altruísmo. Gandhi sempre realçou que o mundo tem os recursos suficientes para satisfazer a necessidade de toda a humanidade, mas nunca terá suficiente para satisfazer a ganância de alguns. Os recursos naturais que nós temos não são uma herança, mas sim uma dívida para com a nossa próxima geração e teremos de fazer tudo para que os nossos filhos tenham um mundo melhor e mais saudável.

Os atuais problemas (guerra nas várias partes do mundo, a pandemia de Covid-19 e aquecimento global) poderão resolver-se se todos nós cooperamos, sacrificamos e seguimos a disciplina de autocontrolo e também ao ajudar os vulneráveis e ajudando outros estamos a ajudar-nos a nós próprios também. Felizmente nesta época tão difícil há instituições, comunidades e indivíduos que tentam ajudar os seres humanos em todo o Portugal, por muito ou pouco recursos que tenham.

O que é estranho no mundo de hoje é que Gandhi se projeta como um santo, mas esquecem-se dos seus ensinamentos e princípios. Gandhi não era um santo, mas sim um pensador original. O que distingue Gandhi das outras figuras do seu tempo é que ele não foge dos erros que cometeu. Na sua biografia A minha vida e as minhas experiências com a verdade ele próprio relata os erros que cometeu ao longo da vida e não só os aceita, mas também os vê como uma experiência com a verdade. Para ele a verdade é que é Deus. A verdade é única, mas as pessoas podem chamar-lhe nomes diferentes.

Romain Rolland (autor francês, pacifista e Nobel da Literatura em 1915) escreveu sobre Gandhi, "Este homem pequeno é tão frágil na aparência é incansável e cansaço é uma palavra que não existe no seu vocabulário. Ele pode responder durante horas sem nenhuma ruga na sua cara ...".

As gerações passaram e as gerações passarão, mas os ensinamentos de Gandhi continuarão a ser importantes para todos nós e para o nosso planeta, mãe Terra. Viva Paz, Viva Humanidade e Viva Gandhi.

Mahatma Gandhi foi o defensor de métodos não-violentos para resolver problemas sociais, económicos, políticos e religiosos. É neste contexto que temos de examinar a eficácia de Satyagraha (pedido justo) - uma técnica não-violenta que Gandhi usava para derrotar os que tinham e têm as armas mortíferas. Para todos nós, que temos apenas uma planeta-mãe, precisamos da paz para crescimento económico, político e científico e, para isso, temos de estabelecer não um caminho de paz, mas sim, estabelecer que PAZ é o caminho.

Docente da FLUL e Presidente da ONG Associação Casa-da-Índia

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