Um bom discurso

Pedro Passos Coelho fez ontem, no encerramento do Congresso do PSD, porventura o seu melhor discurso desde que chegou à liderança do partido e à chefia do Governo. Após as omissões e os esquecimentos da primeira noite, em que foi acusado de ignorar os números crescentes do desemprego, o presidente do partido e primeiro-ministro dirigiu-se aos desempregados e, pela primeira vez, falou de esperança. Ao longo dos três dias de trabalhos, Passos Coelho ouviu reparos dentro do Pavilhão Atlântico e muitas críticas fora dele. Ontem não quis deixar ninguém sem resposta.

Depois de meses dominado pelas finanças e pela austeridade, o discurso de ontem sofreu uma afinação e virou-se para a economia e focou-se nas pessoas. Revelou um primeiro-ministro com preocupações sociais, preocupado em dar "esperança" aos portugueses e garantindo que "os sacrifícios não são em vão", numa resposta clara ao ataque da véspera do líder do PS, que acusou Passos Coelho de ser o primeiro-ministro mais insensível da história da democracia. E comprometeu-se com o horizonte temporal de setembro de 2013 como o momento em em que a economia entrará numa nova trajetória.

Desgastado pela perceção de que a austeridade não é para todos, focou-se na necessidade de apagar essa ideia, reforçando um recado claro e inequívoco: "Não há exceções nos cortes. Sejam trabalhadores ou administradores, da TAP ou da CGD, não terão 13.º e 14.º meses."

Passos Coelho, que ganhou eleições com a bandeira de aliviar o peso do Estado na economia, acrescentou novo sublinhado para dizer que "não é o Estado que cria emprego. O emprego só virá da retoma económica". A evidência caiu bem ao patrão da CIP, que viu nas palavras do primeiro-ministro "ânimo" para as empresas, que há muito estão carentes destes sinais.

Passos quis, e em certa medida conseguiu, puxar o partido mais para o centro, retirando-o da trincheira da direita. Resta saber se estamos apenas perante um bom discurso ou se as palavras do chefe do Governo terão adesão à realidade.

Limite à 'chantagem'

Barack Obama não hesitou em afirmar de forma clara que o "mau comportamento" não será mais recompensado. O Presidente dos EUA, que fez a declaração em Seul - capital da Coreia do Sul -, referia-se à Coreia do Norte e à espécie de de "chantagem" que Pyongyang tem utilizado para com a comunidade internacional.

País pobre e controlado por uma mesma família desde os anos 50, a Coreia do Norte ameaça avançar com o seu dossiê nuclear. E basta este anúncio para que responsáveis da comunidade internacional acorram a Pyongyang e tentem dissuadir o poder estalinista que, inevitavelmente, apresenta uma contraproposta passível de ser sintetizada na frase: matem a fome ao meu povo e eu esqueço o dossiê nuclear que tanto incomoda o vizinho do Sul e o mundo em geral. Mas, ontem, o senhor de Washington afirmou que isso "vai acabar".

E este alerta de Obama assume toda outra força, não só porque foi feito em Seul, mas porque feito nesta cidade que alberga a partir de hoje a II Cimeira sobre a Segurança Nuclear - reunião que conta com a participação de representantes de 53 países. Embora fora da agenda da cimeira, é mais do que certo que Pyongyang será tema dos encontros à margem da mesma e os resultados destes poderão ter um efeito menos agradável para o novo e frágil poder em Pyongyang.

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