Prioridades

Logo à cabeça, 60 milhões de euros. Aos quais acrescem as devidas indemnizações aos vencedores do concurso. E compensações a todos os outros concorrentes que ficaram pelo caminho mas gastaram tempo, meios e recursos para concorrer. É esta a fatura que o Estado - os contribuintes, os portugueses - terá de pagar pela reversão dos processos de concessão das quatro empresas de transportes de Lisboa e Porto. E que implica outros custos - de reputação, por exemplo, de confiança, o que significa que captar investimento estrangeiro para Portugal será mais difícil daqui em diante. A intenção, revelada pelo PCP no dia 9 e agora pelo PS, com a entrega de diplomas para que se discuta e anule os contratos assinados, não vem de provas dadas de que o negócio foi mau, de que a nova gestão não convence, de que o público ficou mal servido. É motivada por divergências ideológicas: a esquerda não concorda com a entrega da gestão das empresas de transportes a privados e quer voltar a pôr o Estado à frente. O Estado, esse gestor de mão cheia! Será esse também o destino da TAP? Quanto a isso, nada está decidido; apenas é conhecida a vontade do líder socialista de manter a maioria do capital em mãos públicas, um negócio que dificilmente será aceite por qualquer empresa privada. O que já podemos dar como adquirido é a fatura inevitável de uma anulação dos contratos nos transportes. A ser aprovada a iniciativa - não será complicado, tendo em conta a maioria parlamentar de esquerda -, vai ser preciso pagar às empresas que já assumiram as operações dos metros e autocarros de Lisboa e Porto pelo menos os 60 milhões correspondentes às cauções que já foram entregues ao Estado. Bom dinheiro. Suficiente para - na versão mais conservadora dos custos - um governo de António Costa poder duplicar o valor proposto para a subida das pensões de quem recebe até 628 euros, no próximo ano.

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