O peso insuportável da dívida pública

O peso das dívidas públicas em toda a Europa vai aumentando de trimestre em trimestre, por mais que se sincronizem as políticas de combate aos défices dos Estados, isto é, por mais que se trave o combate prioritário à Constituição de nova dívida pública. E esse aumento é de monta. São conhecidos os sacrifícios dos povos da Grécia, da Irlanda, de Portugal ou de Espanha para cortar despesa pública, prosseguir uma política orçamental restritiva, para debelar os seus défices públicos excessivos. Acontece que é justamente nesses países que se regista o maior agravamento das dívidas públicas face aos seus produtos internos.

A explicação é sempre a mesma: as medidas de austeridade orçamental lançaram as economias nacionais na recessão prolongada; o enfraquecimento progressivo dos PIB - o denominador desta equação para medir o peso das dívidas - torna estas insuportavelmente pesadas: num ano - entre o 1º. trimestre de 2012 e o 1º. trimestre de 2013 - a dívida pública da Grécia agravou-se 24,1 pontos percentuais (pp), para os 160,5% do PIB; a da Irlanda subiu 18,3 pp, a de Espanha 15,2 pp e a de Portugal 14,9 pp!

Ou seja, os mais aflitos são aqueles que piores resultados arvoram numa Zona Euro, toda ela em recessão, com um desempenho, também ele pior do que o da União Europeia em geral. Por estas e outras multiplicam-se as vozes, como a do líder da troika do programa irlandês, convencido de que esta mistura de políticas não dá, nem pode dar, bom resultado. Este não é, pois, um problema exclusivamente português. E a saída deste círculo infernal ou é europeia ou não é.

Rei novo, desafios velhos

Gritos de "Viva o Rei" em francês, flamengo e alemão esperavam Filipe quando surgiu domingo à varanda do Palácio Real de Bruxelas. Uma multiplicidade linguística para recordar ao sétimo Rei dos Belgas que foi ao trono de um país dividido que subiu após a abdicação do seu pai, Alberto II.

Tímido e introvertido, com uma difícil relação com os media, este pai de família de 53 anos recordou no seu primeiro discurso como monarca: "A força da Bélgica consiste em dar sentido à nossa diversidade." Uma missão difícil num país que rivalidades entre partidos valões e flamengos mantiveram sem primeiro-ministro durante mais de 500 dias após as últimas eleições. E, com legislativas marcadas para dentro de nove meses, Filipe pode ser chamado a dar provas de conciliador já em 2014.

Pátria de figuras como Jacques Brel e Magritte, mas também de Jean-Claude Van Damme ou Eddie Merckx, a Bélgica tem uma história atribulada. Sob domínio dos Habsburgos espanhóis e austríacos durante séculos, invadida por Napoleão, esteve unida à Holanda e ao Luxemburgo antes de conseguir a independência, em 1831.

Numa Europa onde a crise económica veio revelar ainda mais as divisões existentes, essa Bélgica que abriga uma Bruxelas "capital" europeia tem o dever de provar que se consegue manter unida. E o seu novo Rei, de garantir que será o cimento que junta os belgas. Um velho desafio.

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