Os impostos de Trump

Quando Donald Trump anunciou a candidatura a presidente dos Estados Unidos, em junho de 2015, disse ter uma fortuna de dez mil milhões de dólares, mais do dobro daquilo que lhe atribuía a revista Forbes na célebre lista dos magnatas mundiais. Ora, o dinheiro do agora candidato oficial do Partido Republicano continua a alimentar especulações, porque Trump insiste em recusar divulgar a declaração de rendimentos e os impostos que teve de pagar no ano passado.

O argumento do republicano é que está a ser alvo de uma auditoria, mas os serviços fiscais já disseram que poderia mesmo assim tornar públicos os impostos que pagou. Percebendo o impacto da recusa de Trump, a democrata Hillary Clinton divulgou agora a sua declaração de rendimentos: 10,6 milhões em 2015 para o casal, das palestras dela e do ex-presidente Bill Clinton e contando com os três milhões dos direitos de autor dos livros de Hillary. A taxa foi 34%.

Desde Richard Nixon nos anos 1970 que todos os candidatos presidenciais apresentam a declaração. Tornou-se uma regra, ajudando à transparência numa época de suspeita permanente sobre os políticos.
Mas pode haver consequências eleitorais imprevisíveis. Por exemplo, em 2012 ficou-se a saber que o republicano Mitt Romney, apesar de milionário, só tinha pago uma taxa de 18%. Não terá sido por isso que perdeu para Barack Obama mas esteve sob uma chuva de críticas que afetou a campanha.

Trump, que merece ser admirado por ter construído uma fortuna, deveria ajudar à transparência, afinal é ele que critica tanto a opacidade do sistema. Talvez mude ainda de ideias. Mas sobretudo não deveria acreditar que nada do que diz, faz ou deixa de fazer afetará as suas ambições de chegar à Casa Branca.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.