E quando o meu flying car avariar?

O futuro atormenta-me. Esta tormenta é, na verdade, o fascínio pela imprevisibilidade. Uma imprevisibilidade que, convenhamos, já há muito está premeditada, seja na literatura, seja no cinema, seja na animação infantil.

Seja com a ousadia de Rick Deckart (Blade Runner, 1982), seja com o estilo de Marty McFly (Regresso ao Futuro, 1985), seja com a classe de George J. Jetson (The Jetsons, 1962), a verdade é certa, daqui por 3 a 5 anos estaremos a voar de carro.

Quem o diz é Agência de Segurança Aérea da União Europeia. Inclusivamente na Eslováquia, já está oficialmente certificado para voar o AirCar. Este AirCar é um veículo automóvel-avião de modo duplo que já obteve, após 70h de testes de voo, um certificado oficial de navegabilidade pela Autoridade Eslovaca de Transportes. Melhor ainda, esta maquineta que voa e circula também no asfalto, levantou voo e aterrou sem qualquer interação do ser humano com os controlos de voo.

Eu diria que estas premonições já tão badaladas desde há décadas, mais tarde ou mais cedo iriam bater-nos à porta. A evolução tecnológica tem sido de facto exponencial e tão rápida que muitas vezes nem nos lembramos do que tínhamos quando éramos miúdos e do que temos agora. Tão rápida, que só passaram 100 anos desde que o automóvel, sim esse, o do Henry Ford, foi considerado veículo não-poluente, por oposição ao rasto que os cavalos deixavam quando as suas charretes e carroças passavam na via pública. Tão rápida, ao ponto de dizermos que os elétricos ainda não nos convenceram e já especulamos sobre mobilidade aérea urbana. Tão, mas tão rápida, que quando se especula que a solução para a mobilidade é o hidrogénio, que até vai substituir os tais elétricos que ainda nem nos convenceram, já se fala do primeiro veículo aéreo urbano... que provavelmente terá um motor de combustão, certo? Confuso, mas certo.

Afinal o futuro da mobilidade é tudo menos certo. É incerto e é dúbio. E isso atormenta-me!

Mais poluente ou mais partilhado, mais ficcionado ou menos ambicioso, com mais diesel ou com mais hidrogénio. Não se sabe.

O que se sabe é que, se me apanho com um destes nas mãos, passar o Eixo Norte-Sul em zigue-zagues aéreos, de Loures a Santos em linha reta, sem trânsito, sem semáforos e sem radares, será uma realidade.

Mas, quando o carro crashar lá em cima, espero que baste bater com o comando no colo para que volte a funcionar, porque não me estou a ver em pleno voo, a encostar, sair, abrir a mala e colocar o triângulo!

Designer e diretor do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

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