Cartoon Bandeira

Marisa Fernandes

A Defesa do Multilateralismo na Presidência Alemã do Conselho de Segurança da ONU

Julho foi um mês de dupla presidência para a Alemanha. Assumiu a presidência do Conselho da União Europeia (UE), que durará até ao final do presente ano, ao mesmo tempo que assumiu a presidência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), com a duração de apenas um mês. E isto traduziu-se, desde logo, numa maior responsabilidade da parte da Alemanha na defesa do multilateralismo e na influência (e mediação) da agenda internacional.

Marisa Fernandes
Shigeru Ushio

O Japão e o horror nuclear em guerra

Há 75 anos foram largadas bombas atómicas sobre a cidade de Hiroxima e sobre a cidade de Nagasáqui, privando, segundo se diz, mais de 200 mil pessoas das suas vidas preciosas. Reduziu as cidades a cinzas e - sem a mínima misericórdia - privou as pessoas dos seus sonhos e do seu futuro brilhante. Aqueles que escaparam à morte sofreram horrores indescritíveis e mesmo hoje há pessoas que sofrem com os efeitos a longo prazo das bombas atómicas.

Shigeru Ushio
Leonídio Paulo Ferreira

O Líbano sempre sob a ameaça da guerra de todos contra todos 

A explosão em forma de cogumelo transmitida pelas televisões do mundo inteiro certamente contribuiu para o clima de histeria em torno do sucedido nesta terça-feira em Beirute ainda antes de se saber ao certo o número de vítimas (grande!), mas só quem não conhecer a história do pequeno Líbano pode duvidar de como algo que até pode ter sido acidental é naquele país explosivo (e aqui não estou a fazer nenhum jogo de palavras).

Leonídio Paulo Ferreira
Javed Jalil Khattak

Caxemira – Sem conseguir respirar

O dia 5 de agosto de 2020 marca o fim de um ano - desde que o governo indiano de Modi revogou ilegalmente o estatuto autónomo de Caxemira e Jammu, região ocupada pela Índia (o único estado de maioria muçulmana reconhecido internacionalmente como território disputado pelas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas). Foi uma tentativa de anexação de um território disputado, em flagrante violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do direito internacional.

Javed Jalil Khattak
Margarita Correia

Das crenças

Nos últimos meses, dei comigo a refletir mais demoradamente sobre as crenças. Não, não foi impulso místico o que me levou a pensar no assunto, mas antes a perplexidade com que assisto à aparente convicção com que alguns governantes propalam ideias que contrariam a evidência e a ciência - e.g. o SARS-Cov 2 está controlado e em breve a pandemia estará resolvida; o uso de hidroxicloroquina ou o consumo de vodca previnem a COVID-19. Digo "aparente convicção" porque me custa acreditar que governantes de países creiam efetivamente no que dizem: provavelmente estou condicionada pela crença - justificada? - de que um governante é um indivíduo minimamente racional e inteligente.

Margarita Correia
Leonídio Paulo Ferreira

Juan Carlos: corrupto ou campeão da democracia?

Javier Cercas escreveu no El País de domingo que "a alternativa racional em Espanha não era escolher entre monarquia ou república, mas sim entre melhor ou pior democracia". O escritor intitulava a sua crónica "O tabu do rei" e falava desse Juan Carlos que, envolvido numa sucessão vertiginosa de escândalos, primeiro teve de abdicar para o filho, depois renunciar a atividades oficiais mesmo como rei emérito e agora até parte para o exílio.

Leonídio Paulo Ferreira
Frederico Nunes

As "novas" escolas de cidadania e participação democrática

As associações de caráter juvenil, os grupos informais de jovens e as associações de estudantes são verdadeiras escolas de cidadania e de participação cívica e democrática. Pelo papel que assumem na sociedade, os jovens devem estar dotados de mecanismos que lhes possibilite desenvolver uma ação social e cívica em prol de uma sociedade mais equilibrada e consequentemente mais ativa. E são aqueles que se encontram mais próximos dos jovens que se apresentam como parceiros de excelência no desenho de políticas públicas, capazes de responder aos desafios da juventude. E como podemos dar resposta a esses desafios?

Frederico Nunes
Simões Ilharco

Falava-se de mais, fazia-se de menos

Em declaração exclusiva que me fez para o DN, nos anos 80, o saudoso Mota Pinto, um dos principais artífices do Bloco Central, salientou que fala-se de mais e faz-se de menos nos órgãos de soberania. O fim dos debates quinzenais, que tanta celeuma causou, poderá ser visto à luz desta afirmação de Carlos Alberto da Mota Pinto, o terceiro e último líder genuinamente social-democrata do PSD. Os dois primeiros foram, como é sabido, Francisco de Sá Carneiro e Francisco Pinto Balsemão.

Simões Ilharco
Raúl M. Braga Pires

Ainda sobre Hagia Sophia, simbólica e efeitos colaterais

Antes da existência dos panfletos a que hoje todos chamamos "flyers", os Romanos erigiam colunas pelas terras conquistadas, as quais contavam em baixo relevo a(s) façanha(s) da(s) conquista(s), tal e qual os livros do Tio Patinhas, mas sem quadradinhos. A mais famosa e mais conhecida será a Coluna de Trajano, no centro de Roma, comemorando as vitórias das campanhas militares sobre os Dácios. Pode-se considerar um excelente exemplo da arte e da arquitectura ao serviço da política.

Raúl M. Braga Pires
Adriano Moreira

Nossa Senhora das Perguntas

Num ano em que o mar é um espaço subitamente contestado, estando significativamente agravada a relação entre os EUA e a China, havendo uma declaração militar daquele Estado prevendo que dentro de 15 anos será a guerra que surgirá entre as duas potências, temos esperança de que o eleitorado americano faça alterar o panorama, conseguindo tornar a recuperar ponderação em quem governa, tendo presente que o desastre é global, se a batalha contra o ataque pelo covid-19 não for vencedora. Mas sendo evidente que o mar exibe uma mutação de ambições, e também de criminalidade inquietante, o interesse português é cuidar de conseguir ter à disposição decisores e meios de que possa dispor, sem esquecer a vontade marítima de sempre. Numa data em que o problema da relação europeia com as religiões desta vez tem como causa frequente a falta de recursos financeiros para manter os templos, uma situação, por exemplo, visível em França, acontece que entre nós se afirma um movimento no sentido de fortalecer o culto da Nossa Senhora da Nazaré, uma das mais antigas tradições marianas. Trata-se de a Nossa Senhora ter salvo o guerreiro D. Fuas Roupinho, no seu promontório da Nazaré, impedindo que o cavalo que montava se precipitasse no mar. A sua fé, a aparição de Nossa Senhora da Nazaré, e o milagre inspiram não esquecer o martírio que foi, numa data em que não era pacífico o trabalho ao longo da costa, tendo por causa os ataques frequentes, sendo basilar que não há futuro definível sem consciência do passado.

Adriano Moreira
Anselmo Crespo

O Estado e a comunicação social

Se olharmos para a forma como os sucessivos governos trataram a comunicação social nas últimas décadas e, sobretudo, para o chamado serviço público, dificilmente conseguiremos levar algum partido do chamado arco da governação muito a sério. Os que não tentaram influenciar, manipular e condicionar jornais, rádios e televisões não tiveram qualquer visão sobre o setor ou decidiram atirar para debaixo do tapete um assunto que queima e que acabava "enterrado" no Ministério da Cultura, entregue a ministros que percebem tanto de comunicação social como eu percebo de lagares de azeite.

Anselmo Crespo
Rosália Amorim

Silly season? Este é o agosto mais sério das nossas vidas

O mês de agosto começa hoje, mas a calmaria e descontração com que a silly season habitualmente nos brinda desta vez não se sente. O ar está pesado, o brilho do sol encobriu e este é provavelmente o agosto mais sério das nossas vidas. Os fait-divers parecem estar em vias de extinção dos alinhamentos dos noticiários. Sem esquecer os incêndios, a crise sanitária, económica e social tomou conta do dia-a-dia dos portugueses.

Rosália Amorim
Viriato Soromenho-Marques

O "elixir" de Salazar

Na sua conferência de 1919, sobre a política como profissão e vocação, Max Weber profetizou a era de líderes carismáticos que conduziria à II Guerra Mundial. Salazar ocupa um lugar singular nessa galeria, que vai de Mussolini a Estaline, unida pela recusa e o desprezo da democracia liberal. Contudo, ao contrário de Mussolini e Hitler, que tinham "sistemas filosóficos" barrocos e abrangentes, voluntaristas até à histriónica e fanática recusa dos factos, Salazar preferia uma política analítica, voltada para os casos concretos, mimética das ciências positivas: "Não sou", escrevia em 1943, "dos que julgam que há uma verdade política; mas firmemente creio que há verdades políticas tão exatamente demonstradas pela razão e pela experiência como conclusões das ciências positivas. Os que julgam possuir a verdade na política e no governo dos povos vão desgraçá-los com a imposição, até onde puderem, do seu elixir universal."

Viriato Soromenho-Marques
Rogério Casanova

A toxicidade e as serras

Mais tarde ou mais cedo, qualquer adepto de futebol, qualquer comentador de futebol, ou qualquer turista de passagem pelo mundo do futebol diz, ou pelo menos pensa, a mesma frase. A frase é "o futebol não é isto" - e normalmente é dita sobre algo que é futebol, e sempre foi futebol. Os "istos" que o futebol não é ocupam um espectro vasto, mas familiar, que vai do mais recente autocarro apedrejado ao guarda-redes que finge uma lesão até se esgotarem os minutos de desconto, passando pelo cliente do café a gritar calmamente um enredo de Le Carré para explicar um fora-de-jogo mal assinalado. O futebol não é aquilo, pensamos (ou dizemos). Antigamente era outra coisa, e é uma pena que já não seja.

Rogério Casanova
João Melo

A SIC caiu numa "kassanjada"

"As imagens da reportagem 'Os meninos de Kassanje' transmitidas pelo canal de televisão português SIC [na terça-feira desta semana, 28 de julho] foram (...) um embuste usado pela associação Pedacinho do Céu para angariação de donativos de forma ilícita. Quem o afirma são duas ativistas diretamente envolvidas [após a exibição da reportagem] no resgate de quatro crianças (...), com a assistência do Instituto Nacional de Emergência Médica de Angola e com o envolvimento da Direção Nacional de Saúde (...).

João Melo
Ruy Castro

Deus era brasileiro. Era

Não sei se é uma característica de outros povos, mas, aqui no Brasil, temos a mania de achar que Deus é brasileiro. Nada jamais nos autorizou a acreditar nisso, mas é uma certeza, compartilhada - pelo menos, até há pouco - por grande parte da população. Talvez tenha que ver com o Brasil não ser sujeito a tsunamis, terremotos, vulcões, ciclones, tufões, avalanches, incêndios e outros desaires que atingem tantos países. Pode ter que ver também com o facto de que, mesmo com algum desastre iminente, algo faz que tudo de repente se transforme em samba - descobre-se petróleo para até o ano 3000, o Brasil ganha uma Copa do Mundo ou, se estivermos às vésperas do Carnaval, a preocupação fica para depois da Páscoa, não vamos esquentar a cabeça agora.

Ruy Castro
Leonídio Paulo Ferreira

Quando a grandeza de um país se vê (também) na data das eleições

Os americanos votam sempre na primeira terça-feira a seguir à primeira segunda-feira de novembro. É uma regra aprovada pelo Congresso em 1845 que parece complicada, mas que pode ser traduzida assim: vota-se na primeira terça-feira de novembro desde que não calhe no dia 1, Dia de Todos os Santos. E sim, é um legado dos tempos dos Estados Unidos como sociedade agrária (quarta-feira era dia de mercado, portanto nem pensar, domingo era dia de missa, portanto nem pensar, acabou por ser à terça para dar tempo de ir de casa até ao local de voto, muitas vezes distante).

Leonídio Paulo Ferreira
Catarina Casanova

RJIES e democracia: para quando um balanço?

O Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES - Lei 62/2007) regula a constituição, atribuições e organização, o funcionamento e a competência dos órgãos de gestão do ensino superior e, ainda, a tutela e fiscalização pública do Estado sobre estas instituições, no quadro da sua autonomia. Este instrumento jurídico articulou-se com o chamado Processo de Bolonha (DL 74/2006) impondo profundas mudanças à universidade.

Catarina Casanova
Ana Paula Laborinho

Um novo contrato social para uma nova era

Ainda antes da pandemia, que virou o nosso mundo do avesso, já eclodiam vagas de protestos em vários continentes, de França ao Chile, de Hong Kong aos Estados Unidos, mostrando que, apesar de termos alcançado assinaláveis progressos, algo na sociedade globalizada não está a funcionar. O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2019 do PNUD, apresentado em final do ano passado, é esclarecedor na identificação deste descontentamento crescente, tão crescente como as desigualdades. O seu título "Além do Rendimento, Além das Médias e Além do Presente" é já de si um apelo a políticas públicas que possam combater as novas desigualdades e respondam às expectativas das pessoas em relação ao futuro.

Ana Paula Laborinho
Anita Trsic Slika

Bem-vindo à Croácia, um destino epidemiologicamente seguro para os turistas

O turismo é um dos sectores económicos mais importantes na República da Croácia, assim como na República Portuguesa. Agora enfrentamos sérias consequências causadas pela pandemia de Covid-19, mas ainda assim, há muitos interessados em ambos os lados em viajar durante as férias do verão. A Embaixada da Croácia é contactada diariamente pelos interessados que desejam viajar e que querem saber sobre a atual situação epidemiológica na Croácia. A minha intenção é apresentar a situação atual do setor do turismo assim como os dados oficiais mais recentes sobre a situação epidemiológica na Croácia.

Anita Trsic Slika