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A lição à Europa do voto português 

Vou inventar uma palavra. Cunhá-la. Registar a patente. A palavra: geringonça. Admito, roubei a ideia a outro. E, por outro, não me refiro a Vasco Pulido Valente, que terá falado de geringonça acerca de um qualquer tema, e não me refiro também a Paulo Portas, que sobre o governo que se fazia em 2015 lançou a palavra no Parlamento. Isso foram só conversetas, palheta. Refiro-me ao pai, não o putativo, mas o autor da coisa geringonça: António Costa.

Ferreira Fernandes

Marine ganha em França como em 2014! Macron é pouco para a travar

Em França ganhou o partido de Marine Le Pen, ponto final. O nome até pode ter passado de Frente Nacional para União Nacional e a líder ter entregue o protagonismo na campanha da Jordan Bardella, o prodígio de 23 anos que se vai sentar no parlamento de Estrasburgo, mas a vitória de hoje, a segunda consecutiva da extrema-direita francesa em eleições europeias, confirma aquilo que já se sabia: Marine é uma corredora de fundo e aprende com os erros.

Leonídio Paulo Ferreira

Verdes em grande na Alemanha, extrema-direita não cresce, centrão muito mal

Mínimos históricos para os partidos da Grande Coligação alemã, os verdes como segundo partido mais votado, extrema-direita nos 10% mas sem crescer em relação às legislativas de 2017. As primeiras projeções de resultados destas europeias de hoje mostram que mais de dois terços do eleitorado do maior país dos 28 continua firmemente com o projeto da União Europeia, mas que as lideranças dos dois partidos do governo estão a ser questionadas e muito a sério.

Leonídio Paulo Ferreira

O desencanto

A proximidade das múltiplas eleições que vão realizar-se na União Europeia começa a deixar evidenciar que serão marcadas pelo que podemos chamar um desencanto em relação às visões dos que sonharam e iniciaram a organização. Recentemente, o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, do Vaticano, em entrevista ao Expresso, sugeriu: "Pense-se no que eram os políticos do pós-guerra (Robert) Schuman, (Alcide) De Gasperi, (Honrad) Adenauer... E o que era também o projeto da Europa, como foi concebido, a sensibilidade que havia; mesmo os políticos menores tinham qualidade de preparação..." O primeiro grande alarme, chamando a atenção dos povos e dos estadistas ocidentais para a urgência e também para as dificuldades que enfrentariam, ficou a dever-se ao discurso de Winston Churchill, o maior líder da Guerra de 1939-1945, perdedor das eleições nacionais depois da vitória, mas solicitado para despertar, com o seu excecional poder da palavra, os responsáveis e os povos ocidentais: foi no Westminster College, em Fulton, Missouri, que, prestando embora prévia homenagem à participação da Rússia na guerra, proclamou: "De Stettin, no Báltico, até Trieste, no Adriático, desceu uma cortina de ferro através do continente. Por detrás dessa linha encontram-se todas as capitais dos Estados históricos da Europa Central e do Leste: Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste e Sófia; todas estas famosas cidades e populações à sua volta estão agora no que chamo a esfera soviética..." A política das metades que deram forma à nova circunstância (duas Europas, duas Alemanhas, duas cidades de Berlim) não impediu a preservação da solidariedade do Atlântico nem a união da metade europeia democrática. Todavia, a evolução de meio século, com acaloradas discussões entre os envolvidos, faz relembrar, neste 2019 de eleições, este comentário do conservador Benjamin Disraeli,conde de Beaconsfield (1804-81): "Não podemos enganar-nos porque estudamos o passado e é bem conhecida a nossa capacidade de revelar o futuro quando este já ocorreu." Nem os homens, nem os povos, nem as instituições podem evitar o desafio da mudança da circunstância que enfrentam, e esta época parece marcada, em relação ao projeto da União, pelo desencanto. Não se trata dos avanços da ciência e da técnica e dos benefícios conseguidos: trata-se dos desvios, do facto de mais de metade dos países membros da ONU não terem sequer capacidade de responder aos desafios da natureza, da desigualdade da repartição dos benefícios, de os valores do "mercado" silenciarem os valores jurídicos e éticos proclamados para a nova sonhada ordem mundial, de esta ordem mundial estar desafiada pela já visível nova disputa entre as chamadas potências emergentes e da própria destruição do globo estar ao alcance das capacidades militares: e também à desatenção assumida quando o igual resultado está a ser progressivamente implantado pela atitude irresponsável dos mais poderosos no que toca ao ambiente, com a juventude, incluindo a de menor idade, a clamar contra a culpa dos responsáveis pela falta de uma governança global eticamente condicionada, os impedir de vir a usufruir "a felicidade de estar vivo". Infelizmente, os países que foram responsáveis pela ocidentalização do mundo são confrontados com a memória que esse mundo tem dos abusos que também sofreu, e mostra fatores de retaliação inquietantes. Com os EUA, indispensáveis como foram para resolver as crises das duas guerras mundiais, a fragilizar a solidariedade atlântica pelo governo populista que mostra regressar ao conceito do Pacífico como destino manifesto; a sua preferência pela ação solitária pondo de lado a evidente necessidade do método da cooperação; com a União Europeia incapaz de introduzir racionalidade no Brexit do Reino Unido, ou de assumir que a luta da meia Europa do leste foi pela soberania contra o domínio soviético e não pela igualdade democrática em cooperação com a meia Europa ocidental, o que tem expressão no panorama da circunstância eleitoral. Para lá da crise das migrações, o facto de as debilidades da governança mundial terem como que fortalecido a sombra de um diretório franco-alemão, a desordem interna francesa e o enfraquecimento da chanceler alemã, tudo implica que o principal desafio das eleições é o desencanto que tem fortalecido as abstenções, e de novo lembra o comentário de Disraeli, porque este futuro aconteceu enquanto as discussões continuavam sem conclusões. O tempo que as eleições vão consumir na construção de imagens e êxitos, ainda que reais, dificilmente conseguirão a mudança fiável, esperada e exigível, da circunstância emergente que os excedeu.

Adriano Moreira

Ontem conheci 007 no Estoril. Que elogiou as portuguesas

George Lazenby contou que não eram as falas para decorar que o preocupavam quando filmava em Portugal "Ao Serviço de Sua Majestade", mas sim como manter os olhos abertos pois deitava-se na melhor das hipóteses às cinco da manhã. E muito falou este James Bond ontem, num jantar no Estoril, da beleza das portuguesas, das namoradas que terá arranjado naquelas semanas de 1968 em que flirtou no Hotel Palácio, lutou na praia do Guincho, acelerou pela Arrábida e ainda teve tempo de ver uma tourada no Zambujal. "Também gostei muito da comida", rematou.

Leonídio Paulo Ferreira

Será desconhecimento? Será descaso?

Teve lugar, de 29 de abril a 3 de maio de 2019, em Nova Iorque, a Sessão do Grupo de Especialistas em Nomes Geográficos das Nações Unidas (UNGEGN), primeira com organização e métodos de trabalho novos. O UNGEGN é um dos sete grupos de especialistas que compõem o Conselho Económico e Social da ONU, prova da importância da padronização de nomes geográficos. Na Sessão participou a Divisão dos Países de Língua Portuguesa em Nomes Geográficos (DPLPng), uma das 24 do UNGEGN, criada em 2007, com o objetivo de padronizar os nomes geográficos dos países que a compõem. Em 2017, decorreu do Curso em Toponímia promovido pelo UNGEGN e pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) uma reunião informal de especialistas da maioria dos países da CPLP, incluindo Portugal, no sentido de reforçar a DPLPng, consolidando a sua participação junto da ONU.

Margarita Correia

Os Berardos vão votar. E tu?

Pode haver razões que justifiquem a opção pela abstenção e é preciso dizer que essa é também uma opção de liberdade. Mas se não vamos votar porque acreditamos que nada muda, que tudo está garantido, estamos a cometer um erro de palmatória. Votar faz diferença? Faz.Faz diferença porque nos indignamos com as falências de bancos, com a corrupção de alguns políticos, com a situação dos precários, com o mercado de arrendamento, com a falta de condições para ter uma vida condigna. Faz diferença votar.

Hugo Carvalho

Como se educa sem "nãos"?

"O meu filho não aceita um não!" é uma expressão muito comum entre os pais. Na maior parte das vezes, ouço-a como um lamento. Como se os pais me quisessem dizer que os seus filhos deveriam ser mais cooperantes do que aquilo que são na forma como deviam parar, quase sem protestarem, diante dos nãos dos pais. Ora, um não é sempre uma circunstância de conflito entre duas pessoas - assumida por uma delas - que "chocam de frente" quando cada um dos seus dois sins não coincidem. Um não é uma reacção a um dado comportamento de um filho [...]

DN Life

A derrota do filho do papá, do netinho da avó e do bisneto prodígio

Há duas formas de olhar para o resultado das eleições indianas: ver Narendra Modi como o grande vencedor ou ver Rahul Gandhi como o grande derrotado. E sem tirar mérito ao atual primeiro-ministro, cuja fama de bom gestor vem dos tempos de ministro-chefe do Gujarate, é cada vez mais óbvio que a força de um apelido, a pertença a uma dinastia, já não chega para alguém triunfar na Índia. Isto mesmo que o candidato se chame Rahul Gandhi e seja filho de Rajiv Gandhi, neto de Indira Gandhi e bisneto de Jawaharlal Nehru, o primeiro-ministro que proclamou a independência em 1947, grande amigo do Mahatma Gandhi.

Leonídio Paulo Ferreira