A Cooperativa AMUL patrocina futebol português

Quando há muitos anos decidimos escrever uma série de "casos" para uso nas Escolas de Negócio, como veículo de estudo e de discussão de certas situações empresariais, estávamos bem longe de intuir todo o alcance da sua escrita e difusão.

Dos muitos casos escritos, referirei quatro, que mereceram especial atenção. Um era o "O Banco Grameen - O crédito como Direito Humano"(ii), conhecido como o Banco dos microcréditos, escrito em 2003, e distinguido pela Case Clearing House, em Londres, com o Prémio Entrepreneurship de 2010. O Prof. Muhammad Yunus, autor da ideia e da sua concretização recebeu o Prémio Nobel da Paz, em 2006.

Seguiu-se o caso "Aravind Eye Care System"(iii), criado pelo Dr. V (Venkatswami), em Madurai, em 1976, que ao reformar-se de cirurgião do Hospital público aos 58 anos, lança uma pequena Clínica com 11 camas e convida a sua irmã e o cunhado a trabalhar com ele. Logo a seguir, cria outra clínica com 30 camas, para pessoas pobres que nada pagam. Um passo em frente e pede um grande empréstimo hipotecário para criar o primeiro Hospital de raiz, em Madurai, fixando a proporção de 40% de utentes que pagam o seu crédito e os 60% restantes não pagam nada, por não terem recursos. O serviço médico é o mesmo para qualquer doente. Só diferem as instalações, as comodidades e a alimentação. Hoje o Aravind conta com 14 grandes Hospitais, situados em Tamil Nadu e mais de 90 Centros de Consulta em todo o país. Por esta iniciativa receberam o primeiro prémio instituído pela Fundação Champalimaud, para entidades que contribuíram para aliviar problemas da cegueira e dificuldades de visão (em 2007). Logo após a atribuição do Prémio Champalimaud, receberam também o Prémio Melinda and Bill Gates e logo depois o Prémio Conrad N. Hilton Humanitarian Prize.

O "Pé de Jaipur" (iv) foi a escolha seguinte. Havia muitos casos de amputação de pernas ou pés, na India, por variados motivos. Como facilitar a sua vida, permitindo que tivessem uma atividade o mais normal possível? E surgiu a iniciativa de Jaipur Foot que ajusta e operacionaliza uma prótese feita com materiais especiais (madeira, polietileno, etc.), sem ser pesada, ao custo de cerca de $35 dólares. Os mais pobres não pagam a prótese dura bastante tempo, o que facilita que as pessoas possam trabalhar nas várzeas ou mesmo andar vários quilómetros por dia, tarefas difíceis sem prótese. Este caso, de 2008, foi o best-seller do Case Centre, nos anos 2014, 2015 e 2016.

O caso seguinte foi "Dr. V. Kurien e a Revolução do Leite na India"(v), escrito em 2015, e foi premiado na categoria Corporate Social Responsibility do Case Clearing House. A Cooperativa é dona da marca AMUL, de leite e produtos derivados, de grande sucesso na India e mais além. Este e outros casos da AESE foram estudados e discutidos na AESE- Business School, na Angola School of Management de Luanda, no IESE Business School, em Barcelona e Madrid, na Fundação Santelmo, em Sevilha e Málaga e no Instituto Internacional Bravo Murillo, Ilhas Canárias.

Embora me mantenha em contacto com quase todos os protagonistas, recebi uma notícia, não sem uma certa emoção, de que a AMUL seria o Parceiro Regional Oficial da Equipa Portuguesa de Futebol, no próximo campeonato.

Na AESE continua-se com a escrita de Casos que são estudados e discutidos, como por exemplo:

- Barefoot Collegei (vi)

- INFOSYSii (viii)

- SahyadriFarms Post Harvest Care, Ltdiii (ix)

Quase todos os Casos foram escritos em co-autoria. Para não sobrecarregar a leitura, preferiu-se não indicar nomes, mas apenas a referencia correta do caso, para quem tenha gosto em consultá-los.

Devo acrescentar que a Cooperativa de leite com a marca AMUL decidiu lançar, no período de lockdown de cerca de 2 anos derivado à Covid, novos produtos variados, mais de 100, com grande sucesso. Dada a fama de qualidade que a AMUL goza, bem como de preços muito acessíveis, os estratos mais carenciados da sociedade podem também usufruir. Muitos desses produtos nada tinham a ver com o leite. O que os moveu foi contribuir para que o rendimento dos cooperantes pudesse duplicar num breve período de tempo, com laticínios ou sem eles.

Espero bem que o patrocínio da equipa portuguesa levante desejos de praticar essa modalidade desportiva, sempre tomando exemplo dos bons jogadores portugueses, ávidos de melhorar com esforço a sua prática desportiva.

Se antes a India não estimulava o desporto, pois preferia que os seus jovens fossem bons em matemáticas e pensamento lógico, hoje todas as outras práticas profissionais estão a ter uma notável aceitação, como a de bons cozinheiros, bons desportistas de cricket, de futebol, etc. Indubitavelmente, Cristiano Ronaldo é um exemplo de esforço e de técnica muito apurada, como a juventude aqui parece apreciar.

Mais informação sobre o patrocínio:

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