"Estou cansado de reclamar os meus direitos". As ameaças do último namorado de George Michael

O último namorado de George Michael garante que não vai ficar calado. "Estou cansado de reclamar os meus direitos aos advogados. Fico doente", afirmou o fotógrafo Fadi Fawaz, 41 anos, o homem que encontrou sem vida o corpo do cantor no dia 25 de dezembro de 2016. "Querido George, voltamos a ter que nos humilhar para defender os meus direitos", escreveu Fawaz no Twitter, lembrando que tem estado calado em respeito à memória do cantor. Mas agora esse tempo parece ter chegado ao fim. Fadi Fawaz exortou os meios de comunicação britânicos dizendo-se disponível para contar a sua versão da história.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.

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Viriato Soromenho Marques

A política do pensamento mágico

Ao fim de dois anos e meio, o processo do Brexit continua o seu rumo dramático, de difícil classificação. Até aqui, analisando as declarações dos principais atores de Westminster, o Brexit apresenta mais as tonalidades de uma farsa. Contudo, depois do chumbo nos Comuns do Plano May, ficou nítido que o governo e o Parlamento britânicos não só não sabem para onde querem ir como parece não fazerem a mínima ideia de onde querem partir. Ao ler na imprensa britânica as palavras de quem é suposto tomar decisões esclarecidas, quase se fica ruborizado pelo profundo desconhecimento da estrutura e pelo modo de funcionamento da UE que os engenheiros da saída revelam. Com tamanha irresponsabilidade, não é impossível que a farsa desemboque numa tragicomédia, causando danos a toda a gente na Europa e pondo a própria integridade do Reino Unido em risco.

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Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro: "O outro e o mesmo"

No tempo em que se punha pimenta na língua dos meninos que diziam asneiras, estudar Gil Vicente era uma lufada de ar fresco: ultrapassados os obstáculos iniciais daquela língua com borrifos de castelhano, sabia bem poder ler em voz alta numa aula coisas como "caganeira" e soltar outras tantas inconveniências pela voz das personagens. Foi, aliás, com o mestre do teatro em Portugal que aprendi a vestir a pele do outro: ao interpretar numa peça da escola uma das suas alcoviteiras, eu - que detesto arranjinhos, leva-e-traz e coscuvilhice - tive de esquecer tudo isso para emprestar credibilidade à minha Lianor Vaz. E talvez um bom actor seja justamente o que consegue despir-se de si mesmo e transformar-se, se necessário, no seu avesso. Na época que me coube viver, tive, aliás, o privilégio de assistir ao desempenho de actores geniais que souberam sempre ser outros (e o outro) a cada nova personagem.

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Rogério Casanova

A longa noite das facas curtas

No terceiro capítulo do romance Time Out of Joint, o protagonista decide ir comprar uma cerveja num quiosque de refrigerantes que avistou à distância. Quando se aproxima, o quiosque de refrigerantes torna-se transparente, decompõe-se em moléculas incolores e por fim desaparece; no seu lugar, fica apenas um pedaço de papel, com uma frase inscrita em letras maiúsculas "QUIOSQUE DE REFRIGERANTES". É o episódio paradigmático de toda a obra de Philip K. Dick, na qual a realidade é sempre provisória e à mercê de radicais desestabilizações, e um princípio criativo cuja versão anémica continua a ser adoptada por qualquer produtor, realizador ou argumentista que procura tornar o seu produto intrigante sem grande dispêndio de imaginação.

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Bernardo Pires de Lima

70 anos depois

Desde 2016 que os dois principais aliados atlânticos de Portugal estão numa deriva deslegitimadora das duas organizações pilares das democracias europeias. Reino Unido e EUA têm infligido uma pressão colossal na UE e na NATO, enquanto protagonizam um triste espetáculo interno de autoflagelação política. Até quando será suportável aguentar tudo isto em simultâneo? Em ano de pressão eleitoral, estaremos conscientes dos seus efeitos sistémicos?