«Percebi que sou mortal quando tive a primeira neta»

Vem de uma família de médicos e tem duas caraterísticas que ressaltam a um primeiro olhar: a curiosidade e a sinceridade. Nasceu no Porto, Cedofeita, em 1947, e nesta cidade, onde vive, fez o percurso escolar, incluindo licenciatura e doutoramento em Medicina. Foi então para um pós-doc em Oslo. Sentia-se demasiado próximo dos doentes para poder fazer clínica, e daí a escolha da Patologia, influenciada por Daniel Serrão. Casado com a médica Maria Augusta Areias, têm três filhos e seis netos.

Ninguém dá nada por ele, disse um tipo em Arouca, e não é verdade porque mal abre a boca ficamos pasmados a ouvir. A frase está certa se o virmos como um homem simples, sem trejeitos de sábio distante e inalcançável, porque é de uma proximidade imediata e genuína. Falo-lhe das camélias floridas pelo Porto todo e responde-me com a história das japoneiras, como chegaram cá, e Darwin entra logo na conversa mais o frade jesuíta Kamel e a quinta dos Ramos Pinto em Gaia. É Manuel Sobrinho Simões, o do «efeito Simões», aquele que ensina os alunos a encontrar os microcancros da tiroide com tal expertise que as estatísticas disparam.

Acaba de ser eleito pelos pares o patologista mais influente do mundo e diz que foi um miúdo gordinho sem graça nenhuma e que está um velho rabugento. É mesmo assim?

_Juro. Não falo da figura pública. Sou um performer, um professor. Se eu chegar a um palco ou a uma sala de aula ou a um curso, adoro que me percebam. A minha grande aspiração é estar a olhar para uns tipos que estão a perceber o que digo. Isto torna-me muito interativo e eu gosto de pessoas. E, portanto, em situação de professor ou de médico ou de treinador de miúdos que fazem patologia, eu sou extraordinariamente ativo e interessante, entre aspas, passe a imodéstia. No dia-a-dia, para a família, não tenho graça nenhuma. Quando era miúdo, não tinha graça nenhuma. Sou muito competitivo mas tinha pouco jeito, perdia em tudo. A única coisa que eu ganhei foi no pingue-pongue e aconteceu porque não puxava. Os adversários perdiam a cabeça comigo porque devolvia as bolas todas. Fui campeão universitário do Porto mas era muito pior do que os outros.

Continue a ler a entrevista a Manuel Sobrinho Simões na Notícias Magazine.

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