«O mundo tornou-se mais difícil, ou até impossível, de governar»

Quem diz esta frase bombástica sabe do que fala. O recém-nomeado embaixador da União Europeia nas Nações Unidas lida com a diplomacia do mundo há trinta anos. Trabalhou com Delors, foi braço direito de Barroso. Fez parte do restrito clube do G8, negociando agendas em nome dos homens mais poderosos do planeta. Agora, João Vale de Almeida tem pela frente grandes desafios: a crise dos refugiados que abala a Europa e os atentados em Paris.

Há 26 anos, João Vale de Almeida trocou Lisboa por Bruxelas e as redações de jornais - o DN - pelos gabinetes da Comissão Europeia. Nunca se arrependeu. Não é um embaixador de carreira, mas fez da diplomacia - e da discrição - uma arma e um aliado ao serviço de alguns dos homens mais poderosos do mundo. Serviu-se de ambas na sua longa carreira na UE, e sobretudo enquanto embaixador da União Europeia em Washington. Agora mudou-se para Nova Iorque, onde é o representante na ONU. Em jovem queria mudar o mundo, desconfiado de quem debitava certezas. Foi sempre «crescido», «sensato». Defende as armas da convicção, inteligência, valores, cultura e diálogo. Mas sabe que não chega. Esta conversa decorreu num hotel em Belém nas vésperas da Conferência Portugal e o Mundo, organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, da qual foi orador. Já então não estava otimista. E avisou a plateia: o terrorismo não conhece limites, temos de estar preparados para o pior. Não estávamos. Os atentados em Paris obrigaram a uma revisão da entrevista, por e-mail, praticamente em cima do horror a que se assistiu na capital francesa.

Depois dos atentados de Paris, a Europa está em guerra contra o Daesh?

_A luta contra o terrorismo e a intolerância e as suas raízes profundas é o primeiro grande combate político e moral do século XXI. Não podemos aceitar o que aconteceu.

Como se ganha esta guerra?

_Com a mobilização de vontades políticas à escala nacional, europeia e global, com a mobilização da opinião pública e com uma grande determinação na defesa dos nossos valores. Temos de lutar contra todos os que querem aproveitar este tipo de situações para polarizar as nossas sociedades e estigmatizar estrangeiros ou de origem estrangeira ou que professam uma religião diferente. Os muçulmanos são as primeiras e as principais vítimas do fundamentalismo islâmico.

Que papel concertado pode ter a Europa na luta contra o terrorismo?

_Só poderemos combater eficazmente o terrorismo com uma sólida cooperação europeia. O terrorismo não conhece fronteiras. O combate também não.

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