No leite dos Açores há uma história de sobrevivência

O setor dos laticínios atravessa a pior crise de sempre e, nas ilhas açorianas, os efeitos sentem-se a dobrar. Há produtores a tentar contornar o fado com leite de alta qualidade, há quem traga novas raças de bovinos para as ilhas, há quem simplesmente abandone a profissão. Esta é a história de como o gado salvou um dia um arquipélago. E de como os prados são hoje palco de resistência.

Ainda o Sol não se levantou no Atlântico quando Ricardo e Marco abrem as portas da sala de ordenha, são cinco da madrugada e é hora de começar a tirar o leite às vacas. Os animais fazem fila à porta, parecem ter a rotina estudada. Entram dezasseis de cada vez. Cada um ocupa uma manjedoura e fica com o rabo virado para o centro do corredor. Os homens inspecionam-lhes as tetas, calhando estar sujas lavam-nas à mangueirada. Depois verificam se têm feridas, desinfetam o que for preciso com Betadine, e por fim aplicam as quatro tetinas nos animais. No processo todo, não tocam numa gota de leite. Os tubos estão ligados a um sistema informático que analisa a quantidade e a qualidade do leite e o líquido escorre então para um grande contentor, que daí por umas horas há de ser levado num atrelado até à fábrica. Ali, volta a ser analisado, e depois pasteurizado e embalado. Às dez da manhã, todos os bovinos da Quinta do Monte Inglês, na Fajã de Cima, ilha de São Miguel, estão tratados. Daí por doze horas, voltarão a cumprir o ritual.

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