Histórias de amizade num carro de praça

Longe das cidades e das polémicas que envolvem plataformas eletrónicas como a Uber ou a Cabify, os taxistas mantêm uma relação próxima de estima e afeição com grande parte dos clientes. E muitas vezes o taxímetro deixa de contar.

Célia Guerra, 72 anos, mãe de oito filhos, avó de 19 netos e com três bisnetos, vê em Elisa Lopes «mais do que uma filha, mais do que uma mãe». Os laços que as unem foram construídos no interior de um carro pintado de preto e verde. Elisa é taxista, Célia cliente. Mas a prestação de um serviço fez nascer uma cumplicidade. Longe das polémicas que têm envolvido, em Lisboa e no Porto, as empresas de táxi e os novos serviços de transporte de passageiros Uber e Cabify, os vínculos entre taxistas e clientes ganham estatuto de amizade. «A dona Elisa está a par da minha vida toda. Está sempre a dizer-me que tenho de cuidar mais de mim», diz Célia. «Passei a vida a olhar pelos outros, cuidei do meu pai, do meu sogro e da minha sogra.»

«As pessoas desabafam connosco, o táxi é quase um confessionário», diz Elisa Lopes, 60 anos, taxista há 13. Em Canas de Senhorim, Nelas, chamam-lhe «achadiça», termo aplicado àqueles que não sendo naturais da terra ali acabam por ficar a morar. Elisa é de Mirandela, morou em Angola e no Brasil, até conhecer o homem, natural de Arganil, que a levaria a mudar-se para Lisboa e depois para a vila do distrito de Viseu onde fixou residência há 38 anos. Na vida desta taxista somaram-se muitos quilómetros de alcatrão até se decidir a viver do transporte de passageiros em veículos ligeiros.

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