11.09.2001 Onde estava?

Aconteceu há 15 anos e provavelmente não há acontecimento que tenha ficado tão marcado na nossa memória coletiva recente como os ataques terroristas de 2001 aos Estados Unidos da América. Todos sabemos onde estávamos quando vimos os aviões embater nas Torres Gémeas, todos nos lembramos do que sentimos. Nove figuras da vida portuguesa voltam hoje a lembrar.

O DIA EM QUE MARCELO NÃO NADOU

Vinha de exames em Lisboa, para nadar. Pela hora do almoço, soube do que, inicialmente, foi apresentado como dois choques de aviões comerciais contra as Torres Gémeas. Desviou para casa e assistiu, colado ao televisor e ao telefone, ao resto desse dia dramático. Dia que mudou, na verdade, a sua vida, porque estava há um ano a comentar na televisão temas políticos, económicos, sociais e culturais, nacionais e internacionais. «No imediato, fui chamado a estudar o dossiê nine eleven, como era conhecido, até porque dominaria o comentário durante meses - depois incidindo na reação de norte-americanos e aliados.» Isso alterou a lógica tradicional do comentário político, essencialmente interno.

Também esse ano letivo foi muito dominado pelos tópicos relacionados com o 11 de Setembro. «É difícil resumir todos os efeitos daquela data e dessa tragédia. Eis alguns: alterou, de imediato, os esquemas de segurança em vigor, obrigou a rever mecanismos de prevenção e mesmo de reação que se haviam revelado totalmente ineficientes, abriu para um novo ciclo na atitude norte-americana quanto ao terrorismo e, depois, quanto a certas áreas do Médio Oriente.» E deixou antever o termo do universo unipolar nascido do fim do século xx, uma radical alteração na definição e na atuação dos terrorismos internacionais e uma nova correlação de forças mundiais. «Claro que não se deveu apenas ao 11 de Setembro de 2001, mas à realidade nova que nele se projetou. E essa projeção tornaria mais óbvia a mudança ocorrida e aceleraria as respostas perante ela.»

Leia os restantes testemunhos na Notícias Magazine.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.