Ana Moura: «Faço cada concerto como se fosse o último»

Cantou com os Rolling Stones, volta e meia passa uns dias na casa-estúdio de Prince, viaja pelo mundo... e continua a ser a menina tímida que fecha os olhos para cantar fado. Entre os concertos na Austrália e na Estónia, Ana Moura está a lançar um CD, com sonoridade nova e amigos lá dentro. Ao lado dela, sempre, o manager, Paulo Marques, a resolver problemas. Atrás de tudo, os pais que a rodearam de música desde miúda.

Uma miúda, é isso que parece, com a voz doce e baixa sempre rápida a responder. Não puxa dos galões de quem frequenta os meios top do show business, é preciso perguntar, tornear a questão para chegar lá. Fala muito da mãe, «a maior amiga», e não se gaba de ter uma casa enorme, diz apenas que mora perto dos pais. Fala com sinceridade, a mesma que usa em cima do palco e que desarma os públicos. As fragilidades estão lá mas guarda-as para os momentos pesados. Está divertida e conta os 36 anos de vida, como se fosse normal fazer o que fez em apenas oito anos.

O que traz de diferente este disco, Moura, na sua maneira de estar em relação ao fado?

_A grande diferença tem que ver com o som. Os arranjos são muito mais elaborados. O Desfado era mais cru, mas já então fizemos experiências musicais e agora explorámos mais. A guitarra portuguesa tem um tratamento bastante elétrico e isso nunca tinha acontecido, soar com estes efeitos. Foi gravado normalmente, em Los Angeles, e depois a guitarra portuguesa foi gravada com os efeitos de pedal. Isso é visível no Tens os Olhos de Deus, do Pedro Abrunhosa. O solo da guitarra, no final, aqueles efeitos...

Aquilo é uma guitarra portuguesa!?

_Pois! Este disco tem tantos arranjos e sonoridades diferentes que as pessoas não percebem que instrumento está a tocar. Mas aquilo é uma guitarra portuguesa, e isso é incrível. Gostava de fazer isso em palco, usar uma loop station... Esse vai ser o grande desafio.

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