Vox ultrapassa Ciudadanos e é a quarta força política em Espanha

O último estudo Sigma Dos para o El Mundo mostra o PSOE de Pedro Sánchez a perder três deputados em cinco dias. Já o Vox, liderado por Santiago Abascal um ponto percentual no mesmo espaço de tempo, ficando à frente do Ciudadanos de Albert Rivera.

Em plena pré-campanha para as eleições de 10 de novembro, o panorama político em Espanha continua a mudar. Na última sondagem Sigma Dos para o El Mundo, o PSOE do primeiro-ministro Pedro Sánchez cai ligeiramente em termos de intenções de voto - de 28,9% para 27,9% - perdendo três deputados em cinco dias (de 127 para 124).

O PP de Pablo Casado estabiliza nos 98 deputados (com 21,3% das intenções de voto), o Unidas Podemos de Pablo Iglesias sobe três deputados (de 32 para 35), enquanto o Más País, do seu antigo companheiro de partido Iñigo Errejón, depois do efeito surpresa inicial perde intenções de voto e quatro deputados (de dez para seis).

Mas a grande novidade desta sondagem é o Vox ultrapassar o Ciudadanos. Impulsionado pelo comício do fim de semana, que um ano depois voltou a encher o palácio Vistalegre em Madrid, o partido de Santiago Abscal tem sabido aproveitar uma série de notícias que falam ao seu eleitorado - desde a exumação de Franco do Vale dos Caídos até à sentença dos independentistas catalães, esperada ainda esta semana.

De acordo com o estudo Sigma Dos, o Vox conseguiria 10,2% das intenções de voto e 28 deputados, enquanto o Ciudadanos se ficaria pelos 10%, com 22 deputados. Nas eleições de abril os centristas de Rivera elegeram 57 deputados.

O Ciudadanos seria assim relegado para quinta força política em Espanha, castigado pela indecisão no apoio a Sánchez para a formação de um novo governo.

Quanto aos socialistas de Sánchez, se parecem sólidos no primeiro lugar, a verdade é que em cinco dias caíram no número de deputados, ficando apenas um acima dos que conseguiram nas eleições de abril (124 agora, contra os 123 da altura). Longe do resultado que o primeiro-ministro ambiciona para conseguir formar um executivo estável.

Até porque juntos, PSOE e Unidas Podemos conseguiram 158 lugares, longe dos 176 da maioria absoluta. E nem uma aliança com o Más País de Errej​​​​​​​ón chegaria para a alcançar.

Feitas as contas, a esquerda consegue mais votos do que a direita, mas deixa Sánchez na mão dos secessionistas se quiser chegar à maioria - um cenário que parece pouco provável, sobretudo após a sentença dos independentistas catalães.​​​​

Com a hipótese de uma grande coligação entre PSOE e PP também afastada - pelo menos para já - pelos líderes dos respetivos partidos, Espanha arrisca-se a ver prolongada a instabilidade política, com o impasse a manter-se.

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