Maduro acusa EUA de preparar golpe na Venezuela

O governo venezuelano voltou este domingo a acusar os Estados Unidos de promover um golpe de Estado para afastar o presidente Nicolás Maduro do poder e apoderar-se dos recursos energéticos e minerais da Venezuela.

"O governo da República Bolivariana da Venezuela denuncia, uma vez mais, perante a comunidade internacional, a tentativa do Governo dos Estados Unidos de consumar um golpe de Estado contra o Governo Constitucional e Democrático do Presidente Nicolás Maduro, ao promover o desconhecimento das instituições legítimas e democráticas do Estado venezuelano", explica um comunicado.

O documento, divulgado em Caracas pelo Ministério de Relações Exteriores, acrescenta que, "em dias recentes, porta-vozes do Governo norte-americano desataram numa série de ações hostis, a partir de falsos pressupostos, que procuram manipular a verdade, com o propósito de quebrar a estabilidade institucional e a paz da Venezuela".

Segundo o Ministério de Relações Exteriores, os Estados Unidos "ditam ordens" aos "governos subordinados da região" para "aprofundar o assédio e bloqueio contra o povo venezuelano".

"Esta conduta violadora do direito internacional, não é, em absoluto, nova" pois "documentos desclassificados, declarações de funcionários e investigações jornalísticas, têm demonstrado como, desde o ano 2002, as administrações norte-americanas se têm dedicado a promover, apoiar e financiar ações violentas à margem da Constituição e das leis venezuelanas, com o propósito de gerar uma mudança de regime pela força", lê-se no documento.

De acordo com o governo venezuelano, o objetivo dos Estados Unidos é "recuperar o controlo sobre os recursos energéticos e minerais que pertencem exclusivamente ao povo da Venezuela".

"A República Bolivariana da Venezuela expressa a sua condenação e reitera a sua denúncia sobre este plano" norte-americano.

No próxima quinta-feira, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, tomará posse para um novo mandado presidencial (2019-2025), que a oposição e vários países questionam.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, Nicolás Maduro, foi reeleito para um novo mandato presidencial nas eleições antecipadas de 20 de maio de 2018, com 6.248.864 (67,84%) votos.

Um dia depois das eleições, a oposição venezuelana questionou os resultados, alegando irregularidades e o não respeito pelos tratados de Direitos Humanos ou pela Constituição da Venezuela.

Segundo o presidente da Assembleia Constituinte (composta unicamente por simpatizantes do regime), Diosdado Cabello, Nicolás Maduro vai prestar juramento em 10 de janeiro, para um novo mandato presidencial (2019-2025), perante o Supremo Tribunal de Justiça.

O Grupo de Lima, composto pela Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru, já anunciaram que não vão reconhecer o novo mandato de Nicolás Maduro.

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