Rússia acusa ONU e EUA de tentarem "golpe de Estado" na Venezuela

O embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia, acusou hoje "os Estados Unidos e os seus aliados de quererem depor o Presidente" da Venezuela, negando ao Conselho de Segurança o direito de discutir a situação no país.

O diplomata russo denunciou a tentativa de um "golpe de Estado" e defendeu que a crise na Venezuela releva de uma "situação interna".

Na sua resposta, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, sublinhou que "o regime de Nicolás Maduro reprime o seu povo" há anos e garantiu ter chegado a hora de os vários países "escolherem um dos lados". Milhares de venezuelanos fugiram do país, desestabilizando a região, acrescentou.

Um projeto de declaração do Conselho de Segurança da ONU visando garantir "um apoio pleno" à Assembleia Nacional venezuelana dirigida pelo opositor Juan Guaidó foi bloqueado este sábado pela Rússia e pela China, segundo afirmaram diplomatas à AFP.

O texto, ao qual a agência francesa teve acesso, sublinhava o compromisso da Assembleia Nacional venezuelana de restaurar a democracia e o Estado de direito no país e notava a ausência de legitimidade do último processo eleitoral na Venezuela, condenando o recurso à violência por parte das forças de segurança contra manifestantes.

Todas estas referências foram eliminadas do texto pela Rússia com o apoio da China. O projeto, de acordo com uma fonte diplomática não identificada à AFP, foi enterrado e um outro texto proposto pela Rússia, que se limitava a pedir um diálogo político na Venezuela, foi considerado inaceitável pelos Estados Unidos.

Foi agendada, a pedido de Washington, uma reunião do Conselho de Segurança prevista para as 14h00 TMG na presença dos chefes da diplomacia norte-americana e venezuelana.

Paris e Berlim, membros do Conselho de Segurança, o primeiro com direito de veto, lançaram hoje um ultimato a Nicolás Maduto, afirmando que reconhecerão o seu opositor Juan Guaidó como 'Presidente interino' se não forem convocadas eleições em "oito dias". À França e à Alemanha, juntou-se ainda Espanha.

Numa sessão oficial no palácio da Moncloa, sede do Governo espanhol, o primeiro-ministro Pedro Sánchez começou por sublinhar que Guaidó deve liderar a transição para eleições livres na Venezuela, enquanto máximo representante da Assembleia Nacional venezuelana.

Instantes depois, Emmanuel Macron optou pela rede social Twitter para passar a mesma mensagem: "O povo venezuelano deve poder decidir livremente o seu futuro. Se não forem anunciadas eleições em oito dias, poderemos reconhecer [Juan] Guaidó como 'presidente interino' da Venezuela para implementar esse processo político. Trabalhamos em conjunto com os nossos aliados europeus", anunciou o chefe do Governo francês.

A nota do Governo alemão é quase a mesma: "O povo venezuelano deve poder decidir livremente e com toda a segurança o seu futuro. Se as eleições não forem anunciadas em oito dias, estamos prontos a reconhecer a Juan Guaidó a competência para iniciar esse processo na qualidade de 'presidente interino'", declarou a porta-voz do governo alemão, também através do Twitter, Martina Fietz.

Guaidó já agradeceu o apoio de Paris, Berlim e Madrid. "A União Europeia continua a avançar para o reconhecimento e apoio total da nossa luta legítima e constitucional. Agradecemos as palavras e o compromisso assumidos pelo presidente do governo da Espanha, Pedro Sanchez", afirmou no Twitter.

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