Oposição suspende protestos em Caracas e denuncia "brutal" repressão

A oposição venezuelana suspendeu hoje os protestos em Caracas, na sequência do que diz ter sido uma "brutal" repressão das forças de segurança e também da forte presença policial nos pontos onde se manifestaria.

"Reprimiram em todos os pontos de Caracas e por isso decidimos não realizar a manifestação [prevista para a tarde de hoje], mas se os corpos de segurança do Estado não permitirem que as pessoas se mobilizem então manter-se-ão os bloqueios [de estradas]", anunciou o vice-presidente do parlamento.

Freddy Guevara explicou, durante uma conferência de imprensa em Caracas, na sede do Partido Primeiro Justiça, que apesar da repressão policial, no dia de hoje "ficou claro" que as eleições para a Assembleia Constituinte "foram um fracasso".

Por outro lado, denunciou que no dia de hoje cinco pessoas morreram no âmbito de protestos contra o regime.

"Cinco assassinatos registaram-se neste 30 de julho, produto da teimosia de um regime que não tolera que as pessoas tenham perdido o medo. Os centros [eleitorais] vazios são um grito na cara de Maduro, expressando que não querem essa Constituinte", disse.

Entretanto, na conta do Twitter, o Ministério Público (MP) anunciou estar a investigar as mortes de dois adolescentes de 17 e 13 anos, ocorridas durante manifestações de hoje, no Estado venezuelano de Táchira (sudoeste do país).

Também morreu um oficial da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar), Ronald Ramírez Rosales, ocorrida no mesmo Estado.

Por outro lado, segundo o MP, estão ainda a ser investigadas as mortes de Pedro León Torres, ocorrido em Barquisimeto (centro do país), Ángelo Méndez (28) e Eduardo Olave (39), em Mérida, a sudoeste de Caracas.

Mais cedo, o MP informou estar a investigar a morte do político opositor Ricardo Campos (30), ocorrida em Cumaná (leste).

A confirmar-se que as vítimas participavam em protestos, o número oficial de mortos sobre para 120, desde 1 de abril.

Exclusivos