Venezuela: Nicolás Maduro reteve jornalistas e confiscou o material

Maduro reteve uma equipa de um canal de televisão no palácio presidencial e confiscou o seu material de gravação. Atitude foi condenada.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro deteve uma equipa do canal de televisão Univision, no palácio de Miraflores, depois de ter considerado a entrevista um "espetáculo barato", afirmou o Ministro da Informação, Jorge Rodríguez na sua conta de Twitter.

De acordo com o jornalista Jorge Ramos, a situação ocorreu depois de este ter confrontado Maduro com um vídeo da população a comer de um caixote do lixo. Além de ter impedido a equipa de abandonar o palácio, durante quase três horas, o presidente venezuelano confiscou também as suas gravações e os seus bens pessoais, inclusive os seus telemóveis.

Ramos afirma que Maduro não gostou de algumas questões sobre a "falta de democracia, a tortura, os presos políticos e a crise humanitária" e de saber que "milhares de venezuelanos e outros governos no mundo não o consideram um líder legítimo, mas um ditador", confessou à Univision. Jorge Ramos é conhecido por ser frontal com os seus entrevistados. Em 2015, foi expulso de uma conferência de imprensa de Donald Trump, quando este era candidato à presidência. Ramos pressionou Trump a responder a questões sobre a imigração, sem ser chamado.

A atitude do líder venezuelano já foi condenada por várias entidades e pelos cidadãos nas redes sociais. A presidente da Associação Interamericana de Imprensa (SIP), María Elvira Domínguez condenou a atitude do líder venezuelano, afirmando que a sua atitude "equivale a um sequestro". Natalie Southwick, coordenadora do Comité para a Proteção dos Jornalistas, da América Central e do Sul disse que ao censurar Ramos, Maduro demonstrou "a sua falta de consideração pela imprensa", de acordo com a BBC.

Toda a equipa já se encontra no seu hotel, em Caracas e serão deportados quinta-feira, de acordo com a Reuters. No mês passado, vários jornalistas, locais e estrangeiros foram detidos enquanto trabalhavam em Caracas. Alguns chegaram mesmo a ser deportados.

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