Ministério Público investiga denúncias de fraude eleitoral

A procuradora-geral da Venezuela disse ser importante suspender a instalação da nova Assembleia Constituinte, visto ser possível que "nem 15% dos eleitores tenha votado"

O Ministério Púbico (MP) da Venezuela anunciou esta quinta-feira que iniciou uma investigação contra o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), na sequência das declarações de "manipulação" dos resultados das eleições para a Assembleia Constituinte realizadas no domingo.

O anúncio foi feito pela procuradora-geral da Venezuela, Luísa Ortega Díaz, que explicou à CNN que a investigação abrange as quatro reitoras responsáveis pelo CNE (Tibasy Lucena, presidente, e Sandra Oblitas, Socorro Hernández e Tânia D'Amelio), sublinhando ser importante "suspender" o ato de instalação da nova Assembleia Constituinte, porque é possível que "nem 15% dos eleitores tenha votado".

"O anúncio da Smartmatic é bem grave, porque denunciou que houve manipulação dos dados (...) não sabemos qual é o alcance, é um elemento mais de todo o processo fraudulento, ilegal e inconstitucional que representa a Constituinte. Estamos perante um facto inédito, grave, que constitui um delito", disse.

Luísa Ortega Dias acrescentou que designou dois procuradores para investigar as quatro responsáveis do CNE por este facto, que reputou de "escandaloso", suscetível de gerar mais violência.

"Um dos elementos que estamos pedindo é que seja feita uma auditoria, com peritos nacionais e internacionais e que não sejam as reitoras do CNE, porque são as primeiras questionadas. Isto é gravíssimo, há que investigar e determinar as responsabilidades", frisou.

Luísa Ortega Díaz sublinhou que "a própria empresa que manejou as máquinas está a denunciar que houve manipulação dos dados" e que "é provável que nem correspondam à metade do anunciado, porque uma das coisas que podemos ver e apreciar é que os centros eleitorais estavam vazios".

Na segunda-feira, o diretor-executivo da SmartMatic, António Mujica, denunciou em conferência de imprensa realizada em Londres que foram "manipulados" os dados da participação nas eleições para a Assembleia Constituinte.

"Com base na robustez do nosso método, sabemos, sem qualquer dúvida, que [os números da] a afluência às urnas na recente eleição para a Assembleia Constituinte Nacional foi manipulada", disse Mujica.

Por outro lado, indicou que "a diferença entre a participação real e a anunciada pelas autoridades é de pelo menos um milhão de votos".

Segundo as autoridades venezuelanas, mais de oito milhões de eleitores, cerca de 41,5% dos eleitores inscritos, participaram no escrutínio de domingo.

A eleição foi boicotada pela oposição venezuelana, que alega que o ato eleitoral é um caminho para prolongar o poder do Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, cujo mandato termina em 2019.

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