"Vai-te lixar ONU!", diz presidente filipino. E promete criar alternativa

Rodrigo Duterte reagia a críticas de peritos da organização, de onde ameaçou retirar o seu país.

Depois de as Nações Unidas terem criticado a guerra mortífera das Filipinas contra os narcotraficantes, o presidente filipino, Rodrigo Duterte, ameaçou ontem retirar o país da organização internacional e desafiou a China e alguns países africanos a formar uma alternativa.

Desde a eleição em maio do populista ex-presidente da Câmara de Davao para a presidência das Filipinas, perto de mil traficantes de droga foram mortos em resposta ao seu desafio de pôr fim à criminalidade no arquipélago. O chefe do Estado deu carta branca aos polícias para abaterem os suspeitos de crimes. Mas centenas de pessoas foram mortas por civis, incentivados por esta retórica oficial.

Na sexta-feira, Duterte negou que o governo seja responsável pela onda de mortes, numa conferência de imprensa convocada às pressas a meio da noite depois de dois peritos da ONU terem apelado às autoridades filipinas para porem fim às execuções extrajudiciais. "Vou provar ao mundo que vocês são uns peritos muito estúpidos", afirmou o presidente numa intervenção transmitida pelos media locais e disponibilizada na íntegra no Facebook pela GMA News.

Duterte lançou-se depois numa diatribe contra a ONU e os seus Estados-membros, não poupando nem mesmo os EUA, tradicionais aliados das Filipinas. O presidente acusou a organização de não conseguir cumprir a sua função - seja a acabar com a fome no mundo, com o terrorismo ou a não conseguir fazer nada contra o que se passa na Síria ou no Iraque -, mas estar "preocupada com os ossos de criminosos que se amontoam". "Vai-te lixar ONU, nem sequer consegues resolver o massacre no Médio Oriente, nem sequer mexeste um dedo para ajudar em África, calem-se todos!", afirmou Duterte, no seu estilo desbocado. E acrescentou: "Não quero insultar-vos. Mas talvez tenhamos de decidir separar-nos das Nações Unidas".

A solução, segundo Duterte, passa por formar uma organização internacional alternativa à ONU e, para isso, o presidente filipino está disposto a convidar a China e os países africanos.

Em julho, o chefe do Estado filipino já ameaçara retirar o país do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas.

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