Oficial: Resultados provisórios dão vitória ao MPLA

MPLA recebeu 64,57% dos votos. UNITA diz que resultados são "falsos" e CASA-CE diz que "possivelmente foram forjados"

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) alcançou 64,58% dos votos expressos, quando estão escrutinados os votos de 5.938.853 dos 9.317.294 eleitores inscritos, anunciou a Comissão Nacional Eleitoral.

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) obteve 1.043.255 de votos (24,04%) e a Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE) alcançou 371.724 votos (8,56%).

Estes números colocam o partido no poder em Angola no limiar da maioria qualificada ou de dois terços.

Os totais nacionais provisórios são anunciados em Luanda pela porta-voz da CNE, Júlia Ferreira, com 16.692 mesas escrutinadas (65,53% do total) até ao momento. A abstenção cifra-se, neste ponto da contagem, nos 23,17%, equivalente a 1.375.884 eleitores. Falta escrutinar um terço das mesas de voto.

UNITA obteve 24,04% dos votos e CASA-CE recebeu 8,56%. Taxa de abstenção foi de 23,17%

"Os militantes tudo fizeram para chegarmos à maioria qualificada [2/3 dos votos] Vamos esperar que o resultado definitivo seja assim", disse aos jornalistas, numa primeira reação, na sede do MPLA, o secretário do bureau político do Comité Central para as relações internacionais, Julião Mateus Paulo "Dino Matrosse".

Presente na conferência de imprensa de apresentação dos primeiros números pela CNE, o mandatário nacional da UNITA, José Pedro Cachiungo, acusou tratarem-se de resultados "falsos" e que nada têm a ver com a contagem paralela, baseada nas atas síntese enviadas pelos delegados de lista, que o partido está a fazer.

Numa entrevista à TSF, o presidente da UNITA Isaías Samakuva admitiu impugnar as eleições, caso se comprovassem as irregularidades denunciadas nas eleições. "Se houver razões para isso, naturalmente que seremos levados a tomar posições que a lei permite e prevê", disse Samakuva. "Mas isso tudo depende de uma avaliação adequada".

Também a CASA-CE, pela voz da sua mandatária nacional, Cesinanda Xavier, assumiu aos jornalistas que a coligação "não está de acordo com estes resultados", igualmente em função da contagem paralela que está a realizar, pelo que "possivelmente os dados foram forjados"

O Partido de Renovação Social (PRS) surge na quarta posição desta votação, com 59.357 (1,37%), seguida da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), com 41.034 votos, (0,95%) e por último a estreante Aliança Patriótica Nacional (APN), com 22.471 (0,52%).

Estes resultados são no entanto condicionados só pelo círculo provincial de Luanda, em que apenas 29,37% das mesas foram já escrutinadas.

O MPLA já tinha anunciado esta manhã que, com cinco milhões de votos escrutinados em todo o país, tem a "maioria qualificada assegurada" e a eleição de João Lourenço para Presidente da República. A UNITA, por sua vez, contestou o anúncio de vitória do MPLA, feito antes da publicação dos resultados oficiais, exortando a Comissão Nacional Eleitoral "a ter a coragem de divulgar os resultados provisórios reais" que vão chegando aos partidos.

Mais de 9,3 milhões de angolanos estavam inscritos para escolherem quarta-feira, entre seis candidatos, o sucessor de José Eduardo dos Santos - que não integrou qualquer lista candidata -, com a votação a decorrer até às 18:00.

Esta votação envolve a eleição direta do parlamento (220 deputados) e indireta do Presidente da República, que será o cabeça-de-lista do partido mais votado.

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