UNITA: "profecias" de Savimbi estão à vista 15 anos depois

Líder histórico foi morto em combate na província angolana do Moxico. Tinha 67 anos

Quinze anos após a morte de Jonas Savimbi, a UNITA diz ter condições para chegar este ano ao poder em Angola, nas eleições gerais, garantindo o presidente do partido, Isaías Samakuva, que as "profecias" do fundador, sobre o país, cumpriram-se. "Todos os ensinamentos que o doutor Savimbi nos deixou, e todas as suas profecias, posso chamar assim, são vivenciadas agora, falavam de situações que acontecem agora. De um país que tem potencialidades enormes e é incapaz de facultar aos seus cidadãos uma vida condigna, aquilo que é de básico para a vida de qualquer pessoa", afirmou o líder da UNITA.

Isaías Samakuva falava em entrevista à agência Lusa, em Luanda, a propósito do aniversário da morte em combate, na província do Moxico, de Jonas Savimbi, a 22 de fevereiro de 2002, garantindo que a crise que Angola vive, devido à quebra nas receitas provenientes do petróleo, ao descontentamento popular e às eleições gerais de agosto próximo, reforça a recordação da memória do fundador da UNITA.

"Constatamos que as causas que levaram o país à situação presente são as que sempre foram previstas pelo doutor Savimbi. Ele dizia mesmo que o país corria o risco de ver uma burguesia que iria se comportar de forma pior do que os colonialistas e que cuidaria apenas dos seus interesses e não dos interesses do povo", enfatizou Samakuva.

A UNITA tem dito ter condições para chegar ao poder nas eleições deste ano, às quais já não concorre o líder histórico do MPLA e chefe de Estado angolano desde 1979, José Eduardo dos Santos.

"Tudo o que [Savimbi] buscava era a felicidade dos angolanos, era servir os angolanos. Na realidade é aquilo que nós continuamos a buscar e que corresponde às aspirações dos angolanos. Achamos que estamos no caminho correto, que no fundo já era invocado pelo doutor Savimbi", garante o líder da UNITA, assumindo que existem agora "razões de sobra" para invocar a memória do fundador.

Isaías Samakuva lidera a UNITA desde 2003 e como presidente deverá liderar a lista do partido às eleições gerais de agosto. Pela frente terá João Lourenço, vice-presidente do MPLA, o único partido que já oficializou as suas listas de candidatos (círculos nacional e provinciais) às próximas eleições.

Savimbi morreu aos 67 anos, na província do Moxico, acossado por uma ofensiva das tropas governamentais. Morreu a lutar, como o fizera ao longo da vida, primeiro contra o regime colonial português, depois contra o imperialismo soviético. Ao longo de quase 40 anos perseguiu o ideal de resgatar a etnia ovimbundo, maioritária no centro e leste de Angola, onde nasceu, da dominação dos kimbundos, maioritários na região de Luanda e centro norte.

LUSA, em Luanda

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