União Europeia é o ponto de discórdia entre FDP e Verdes

Liberais e ambientalistas têm história de rivalidade, mas também partilham posições. UE é exceção

O sistema eleitoral alemão tem destas particularidades: o FDP esteve quase tantos anos no governo federal como a CDU, 45 e 48, respetivamente. Isto apesar de ser um partido com uma pequena base de militantes (cerca de 60 mil) e de nunca ter ficado nos dois primeiros lugares das eleições. Em 19 atos eleitorais os resultados variam entre os 14,6% com Guido Westerwelle na liderança, em 2005, e os 4,8% com Philipp Rösler, em 2013. Este desaire, que teve como consequência a não eleição de qualquer deputado - os partidos têm de atingir a barreira de 5% - foi festejado na sede dos Verdes nessa noite eleitoral. Uma imagem demonstrativa da rivalidade entre as duas formações. E que se estende ao ponto de vários dirigentes terem trocado de partido, num e noutro sentido.

Os Verdes, que estiveram sete anos numa coligação governamental com o SPD no início dos anos 2000, também têm um número de militantes semelhante ao FDP. Uns e outros estão desde junho numa inédita coligação com a CDU no estado de Schleswig-Holstein. O ministro-presidente, Daniel Günther, mostrou-se entusiasmado com a coligação Jamaica - assim denominada porque as cores dos partidos são as mesmas da bandeira do país caribenho - e declarou à Der Spiegel que "todos querem que funcione".

A nível programático, liberais e Verdes têm vários temas-chave em desacordo: imigração, fiscalidade, energia, investimento público. É certo que partilham uma agenda pró-europeia, mas só até certo ponto. Os ambientalistas são mais fervorosos: defendem a transformação do Mecanismo Europeu de Estabilidade num Fundo Monetário Europeu supervisionado pelo Parlamento de Bruxelas e a mutualização das dívidas - uma abordagem próxima do que defende o presidente francês Emmanuel Macron. Já os liberais, que desejam tomar o lugar de Wolfgang Schäuble nas Finanças, estão contra. "Tudo o que vá na direção de transferências financeiras ao nível europeu, seja um orçamento para a zona euro, seja uma união bancária, é o nosso limite", afirmou o presidente do FDP Christian Lindner no fim de semana. Os liberais defenderam a saída da Grécia do euro e querem acabar com o Mecanismo Europeu de Estabilidade. Uma contradição insanável à primeira vista, mas quem ganhou as eleições foi a CDU/CSU e, caso consiga formar coligação com estes dois partidos, terá sempre a última palavra.

Um antigo deputado do FDP que já foi dirigente dos Verdes, Markus Löning, mostra-se esperançado que os pontos em comum das duas agendas se sobreponham ao que opõe os partidos. "Há muitos pontos em comum, como eu sei muito bem do meu trabalho sobre liberdades civis", disse à Deutsche Welle. Löning propõe a criação de uma agenda comum liberais-verdes, a começar na tecnologia, onde uns querem a expansão da rede digital e os outros desejam um aumento da utilização da tecnologia na contribuição para um ambiente mais sustentável.

Contas feitas, há quem veja no partido irmão da CDU uma fonte de tensão para com Angela Merkel. "Demos o nosso flanco direito e cabe-nos agora preencher o vazio com tomadas de posição duras", afirmou o líder da CSU, Horst Seehofer, a propósito da ascensão da AfD.

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