União Africana: "Não será permitido outro genocídio em África"

Conselho de Paz e Segurança afirmou que o país está à beira de uma guerra civil e que conflito deve ser resolvido urgentemente

"África não deixará que um outro genocídio ocorra no continente", afirmaram os Estados membros do Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União Africana (UA) a propósito da violência no Burundi. A declaração feita numa reunião do CPS em Addis Abeba foi divulgada na conta do organismo na rede social de mensagens curtas Twitter.

Esta reunião do CPS é largamente dedicada à situação no Burundi, país vizinho do Ruanda onde um genocídio entre abril e julho de 1994 causou cerca de 800.000 mortos, essencialmente da minoria tutsi.

"Da reunião do CPS em curso sai uma mensagem muito clara: as mortes no Burundi devem cessar imediatamente", comentou também no Twitter o Comissário da Paz e Segurança da UA, Smail Chergui.

A "urgente necessidade de medidas para acabar com as mortes" no Burundi foi discutida na reunião, na qual os ministros foram informados do estado de preparação da componente leste-africana da Força Africana em Estado de Alerta da UA "para um possível destacamento de uma força africana para o Burundi".

O Burundi mergulhou numa profunda crise política com episódios de violência na sequência da candidatura no final de abril do seu presidente Pierre Nkurunziza a um terceiro mandato, que a oposição, a sociedade civil e uma parte do seu próprio campo consideram contrária à Constituição e ao Acordo de Arusha, que permitiu acabar com a guerra civil (1993-2006) entre o exército dominado então pela minoria tutsi e rebeldes hutus.

O falhanço de um golpe de Estado em meados de maio, a repressão brutal de manifestações e a reeleição de Nkurunziza em julho não impediram a continuação das violências.

São frequentes os ataques contra a polícia, que é acusada pelos defensores dos direitos humanos de uso desproporcionado da força, de detenções arbitrárias e de tortura, assim como de execuções extrajudiciais.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou na quarta-feira que o Burundi está "à beira de uma guerra civil que arrisca incendiar toda a região".

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