Uma greve geral contra a austeridade que Tsipras vai conseguir aprovar

Medidas incluem novo corte nas pensões. Eurogrupo discute na segunda-feira dívida de Atenas e Merkel diz que é possível um acordo

Milhares de gregos aderiram ontem à greve geral e desfilaram pelas ruas de Atenas em protesto contra as medidas de austeridade que continuam a ser exigidas pelos credores em troca de tranches do último resgate, de 86 mil milhões de euros. Protestos que surgem na semana em que o Parlamento está a discutir novas medidas, que serão aprovadas hoje.

Os protestos de ontem foram, no geral, pacíficos, mas um grupo de várias dúzias de extremistas infiltrou-se entre os manifestantes antigoverno, atirando cocktails molotov e pedras contra a polícia, criando o caos durante alguns minutos junto ao Parlamento. Este grupo atacou também a carrinha de uma estação de televisão, deixando o veículo muito danificado. A polícia respondeu com gás lacrimogéneo para dispersar este grupo.

A greve geral de ontem foi convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores da Grécia (GSEE) e a Confederação dos Sindicatos dos Funcionários Públicos (ADEDY), os maiores sindicatos do setor privado e público, um dia antes do Parlamento votar as reformas que irão ajudar a desbloquear fundos do resgate de 86 mil milhões, o terceiro do país em sete anos.

Os hospitais públicos estavam a funcionar apenas com pessoal de emergência e o funcionamento dos transportes públicos foi seriamente afetado. Os controladores aéreos fizeram uma paragem de quatro horas a meio do dia de ontem, levando ao atraso ou cancelamento de mais de 150 voos. Os funcionários marítimos marcaram uma greve de quatro dias, e que teve início na terça--feira, deixando parados nos portos até amanhã os ferries que servem as ilhas gregas. Ontem também não houve jornais nas bancas gregas, devido a uma greve dos jornalistas cumprida na terça-feira.

Maioria garante aprovação

A Grécia concordou com a aprovação de mais medidas de austeridade para colocar um ponto final nas negociações que se vinham a arrastar com os credores sobre os progressos do programa de resgate. Estas medidas, que têm sido discutidas pelos deputados durante a semana, incluem um corte das pensões em 2019 (o 13.º corte desde 2010) e uma diminuição do número de contribuintes abrangidos pela isenção de impostos com base no rendimento em 2020, prevendo-se que produzam poupanças equivalentes a 2% do PIB - segundo contas do governo, poderão render 2,63 mil milhões de euros em 2019 e 1,92 mil milhões em 2020.

A votação está prevista para hoje e tudo indica que o pacote de medidas será aprovado, pois o Syriza e o ANEL - a sólida coligação governamental - têm 155 dos 300 deputados, ou seja, a maioria. A Nova Democracia, partido que lidera há mais de um ano as sondagens, anunciou ontem que irá votar contra as medidas, pois são "totalmente contra" o quarto memorando. E adiantaram que irão apenas apoiar a provisão que iguala a taxação dos deputados à dos cidadãos.

Assim que as medidas forem aprovadas, os ministros das Finanças da zona euro irão discutir o desembolso de uma nova tranche na próxima reunião do Eurogrupo, marcada para segunda-feira. Atenas precisa urgentemente de fundos, pois tem de pagar 7,5 mil milhões de euros de juros da dívida que vencem em julho.

Num telefonema ontem de manhã, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e a chanceler alemã, Angela Merkel, acordaram que "era possível um acordo" na segunda--feira sobre a questão da dívida, disse uma fonte oficial do governo de Atenas. Aliás, na segunda-feira, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, já havia adiantado que a questão da dívida grega iria estar na agenda da próxima reunião.

Uma das últimas sondagens, feira pela PAMAK no início de abril, mostra a Nova Democracia com 38,8% das intenções de voto, 20,6 pontos percentuais à frente do Syriza, que surge com 18,2% da preferência dos gregos.

Os neonazis da Aurora Dourada mantêm o estatuto de terceiro partido, tendo 8,8% das intenções de voto. Seguem-se os comunistas do KKE (8,2%), PASOK-DIMAR (7,6%), To Potami (2,4%), ANEL (2,4%), União dos Centristas (2,4%), Curso da Liberdade (2,4%), União Popular (1,2%). De referir que o Rumo da Liberdade e o União Popular foram fundados por Zoe Konstantopoulou e Panagiotis Lafazanis, respetivamente, dois dissidentes do Syriza.

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