Tutancámon britânico descoberto entre um pub e um supermercado

Um túmulo real antigo encontrado entre um pub e um supermercado Aldi está a ser considerado a versão britânica da famosa tumba de Tutancámon, faraó egípcio que viveu há mais de três mil anos.

A sepultura, que continha dezenas de objetos raros, já foi descoberta por trabalhadores durante as obras de alargamento de uma estrada em Prittlewell, perto de Southend, Essex, em 2003. E, na altura, a equipa do Museu de Arqueologia de Londres (MOLA) chamada ao local nem queria acreditar na "surpresa", ao encontrar a câmara funerária intacta e com cerca de 40 objetos em excelente estado de conservação.

Agora, depois de 15 anos de análise especializada, os arqueólogos do MOLA estão convictos de que esta se trata de "uma das mais importantes descobertas arqueológicas" feitas em Inglaterra nos últimos 60 anos, diz Sophie Jackson, diretora de pesquisa do museu, citada pelo The Guardian. E alguns dos objetos encontrados estão a regressar a Southend para serem exibidos permanentemente pela primeira vez no Museu Central.

A importância desta descoberta merece mesmo comparações com a do túmulo de Tutancámon, no Egito, pela contribuição deste achado para o estudo da civilização e rituais dos cristãos anglo-saxões que habitaram as ilhas britânicas entre os séculos V e XI aproximadamente.

Embora os únicos restos humanos encontrados tenham sido fragmentos de esmalte dentário, os especialistas acreditam que eles possam pertencer a um príncipe anglo-saxão do século VI e assinalam este como o mais antigo túmulo real cristão no Reino Unido.

O túmulo de Seaxa, irmão do rei Saebert?

Na altura da descoberta, sugeriu-se que os restos mortais poderiam pertencer a Saebert, rei saxão de Essex, que reinou entre os anos de 604 e 616, mas os testes posteriores indicaram que o túmulo terá sido construído entre 575 e 605, pelo menos 11 anos antes de morte de Saebert.

Para os arqueólogos, o mais provável é que a sepultura pertencesse sim a Seaxa, irmão de Saebert. Para os moradores locais, já tem outro nome: o Príncipe de Prittlewell.

Ciara Phipps, do Southend Museums Service, disse que o primeiro artefacto descoberto - uma tigela de cobre - deu aos especialistas uma "ideia real de quão importante esse túmulo poderia ser". "Acredita-se que foi uma taça provavelmente adquirida como um presente, por isso dá uma sensação de quão significativa essa pessoa pode ter sido. Ele tinha amigos importantes", acrescentou.

Os restos da estrutura de madeira, que teria medido cerca de quatro metros quadrados e cinco metros de profundidade, abrigavam cerca de 40 objetos raros e preciosos. Entre eles havia uma lira - uma antiga harpa -, uma fivela de ouro, um jarro que será proveniente da Síria, copos decorativos, moedas e uma caixa com 1.400 anos que se acredita ser o único exemplo de trabalho de madeira pintada desse período no Reino Unido.

Cada um deles foi colocado dentro do túmulo "como parte de um ritual de enterro cuidadosamente coreografado", indicando o local de descanso de um homem de linhagem principesca.

Os objetos encontrados vão ser expostos no Museu Central de Southend, a partir deste sábado, mas o Museu de Arqueologia de Londres também disponibiliza uma visita virtual para os interessados.

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