Turquia receia que conflito na Síria se torne uma guerra mundial

Estados Unidos e Rússia estão em lados opostos do conflito e a relação entre os dois países têm vindo a degradar-se após o fracasso do cessar-fogo na Síria

A Turquia declarou hoje recear que a guerra na Síria evolua para um confronto mundial, com a persistência da tensão entre Rússia e Estados Unidos, que apoiam partes opostas no conflito.

"Se a guerra por procuração prosseguir, deixem-me ser claro, a América e a Rússia vão chegar a uma guerra", declarou o vice-primeiro-ministro Numan Kurtulmus à agência governamental Anadolu.

Kurtumlus considerou que o conflito sírio colocou o mundo "à beira de uma vasta guerra regional ou mundial".

A Turquia e os seus aliados ocidentais exigem a partida do Presidente sírio Bashar al-Assad, enquanto Moscovo apoia politicamente e militarmente o regime sírio, aliado do Irão.

Ancara integra a coligação liderada pelos Estados Unidos, que no essencial promove ataques contra o grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI). A Turquia desencadeou em 24 de agosto a ofensiva militar "Escudo do Eufrates", para repelir da sua fronteira as forças do EI e os combatentes curdos, que também combatem entre si.

As relações entre Washington e Moscovo deterioraram-se após o fracasso do cessar-fogo na Síria, iniciado em setembro e que apenas se manteve uma semana.

O exército do Presidente sírio, apoiado pelos 'raides' da aviação russa, desencadeou uma ofensiva de envergadura contra Alepo e progride rua após rua para retomar os bairros leste desta segunda cidade da Síria, controlados pelos rebeldes desde 2012.

Esta ofensiva foi condenada por Washington e os ocidentais, mas Moscovo bloqueou no sábado na ONU um texto francês sobre o fim dos bombardeamentos, e viu uma sua moção também ser rejeitada no Conselho de Segurança.

Kurtumlus também justificou a presença das forças turcas no norte do Iraque, definida como legítima, e que estas tropas vão permanecer no país vizinho "o tempo que for necessário".

As tensões também se agravaram entre os dois países, após Bagdad ter denunciado na semana passada as "forças de ocupação" turcas.

Segundo os 'media' turcos, 2.000 soldados estão estacionado no Iraque, incluindo 500 na base de Bachiqa, norte do país, onde treinam voluntários iraquianos sunitas no âmbito da anunciada ofensiva para a reconquista de Mossul, bastião do EI.

Na terça-feira, o Presidente turco Recep Tayyip Erdogan dirigiu violentas críticas ao primeiro-ministro iraquiano, Haidar al-Abadi, constrangendo-o a "ficar no seu lugar" após as suas críticas contra a presença militar turca no Iraque.

O porta-voz de Abadi respondeu ao referir que Erdogan "deita gasolina na fogueira" com essas observações e fornece uma "dimensão pessoal" a uma questão de segurança.

"Vamos libertar o nosso território devido à determinação dos nossos homens e não através de apelos em vídeo", afirmou no Twitter o primeiro-ministro iraquiano, numa alusão aos apelos de Erdogan à mobilização da população no decurso da tentativa de golpe de Estado de 15 de julho.

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