Teste nuclear na Coreia do Norte. Mais de 200 pessoas terão morrido

Kim Jong-Un tinha classificado o sexto teste nuclear como "uma grande vitória conseguida pelo povo coreano à custa do seu sangue".

O sexto teste nuclear da Coreia do Norte, realizado a 3 de setembro, foi celebrado com fogo-de-artifício e considerado pelo regime de Pyongyang um marco sem precedentes. Mas, segundo informou uma televisão japonesa, esse teste provocou o desmoronamento de um túnel e levou à morte de mais de 200 pessoas.

A Televisão Asahi cita fontes anónimas familiarizadas com a situação para revelar que ocorreram dois acidentes relacionados com o teste nuclear: um por volta do dia 10 de setembro, no qual terão morrido cerca de 100 trabalhadores; e um outro, durante as operações de resgate, que terá feito outras tantas vítimas.

O sexto teste nuclear de Pyongyang foi realizado, tal como os cinco anteriores, na região montanhosa de Punggye-ri, que consiste num complexo sistema de túneis construídos sob a superfície.

Vários peritos haviam já alertado para o facto de os tremores de terra e deslizamentos que aconteceram na sequência do teste nuclear terem desestabilizado a região, considerando que aquele local não poderia ser usado pelo regime de Kim Jong-un durante muito mais tempo.

Nas imagens que foram divulgadas pelo grupo de análise da situação norte-coreana, o 38 North, no dia a seguir ao teste, eram visíveis várias áreas de gravilha e pedras deslocadas devido aos tremores e alguns peritos admitiam que uma das passagens subterrâneas de Punggye-ri tivesse ruído.

Segundo uma estimativa do Governo sul-coreano, o teste nuclear de 3 de setembro teve teve uma potência de 50 mil toneladas, o que significa que o teste foi cinco vezes mais potente que o quinto ensaio nuclear realizado pela Coreia do Norte, em setembro de 2016, e mais de três vezes superior ao da bomba que destruiu Hiroshima em 1945.

A Coreia do Norte garantiu ter detonado nesse dia uma bomba H (de hidrogénio, mais potente que as armas convencionais) que pode ser instalada num míssil intercontinental.

Dias depois, a Coreia do Norte celebrou com fogo de artifício o seu sexto e mais potente teste nuclear, que classificou como um "evento nacional auspicioso" e um "marco sem precedentes". Depois disso, num banquete, Kim Jong-Un afirmou que o teste foi "uma grande vitória conseguida pelo povo coreano à custa do seu sangue".

Exercícios de retirada

Esta notícia veio a público no momento em que foi divulgado que a Coreia do Norte está a realizar exercícios de retirada em massa, enquanto se prepara para a possibilidade de uma guerra.

Os media sul-coreanos referiram que estes exercícios foram realizados em "cidades secundárias e terciárias" na última semana, principalmente na costa leste do país, na zona do Mar do Japão.

Exercícios para que as cidades fiquem às escuras, evitando serem alvos dos inimigos, também foram realizados.

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, avisou no sábado a Coreia do Norte de que qualquer ataque nuclear no território do seu país ou no dos seus aliados vai ter uma "resposta militar maciça".

A Coreia do Norte aumentou as suas ameaças e acelerou os seus programas de armas "desnecessariamente", disse Mattis, que advertiu que, em caso de ataque, o Exército de Pyongyang não seria rival para a defesa combinada de Washington e Seul.

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